Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2026 – Fevereiro consolidou uma virada estrutural no mercado do feijão, conforme aponta o consultor e analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira. O mês foi marcado por preços ascendentes e pouca liquidez, cenário típico de escassez real e domínio do produtor.
“A ausência recorrente de negócios nas bolsas, somada à logística reversa de cargas, não indicou fraqueza, mas sim negação sistemática do produtor em validar patamares inferiores”, disse.
De acordo com Oliviera, a oferta concentrou-se em perfis capitalizados, com vendas fracionadas e seletivas, enquanto grande parte do volume colhido do feijão carioca seguiu diretamente do campo ao empacotamento, sem formação de estoques intermediários. O padrão alto (nota 9+/peneira 12) tornou-se gargalo absoluto, ampliando o spread entre qualidades.
Os preços consolidaram-se acima de R$ 350/sc no interior paulista, com testes até R$ 360/sc no final do mês – maior nível em quase dois anos. Goiás e Minas operaram entre R$ 325–345/sc, enquanto o Noroeste mineiro apresentou esgotamento precoce, elevando inclusive padrões intermediários. Fevereiro também marcou o início da resistência do consumo, sinalizando aproximação do ponto de equilíbrio pelo preço.
Substituição pode ganhar força e reposicionar feijão preto
Já o feijão preto, segundo o analista, apresentou comportamento mais cadenciado e previsível, porém estrategicamente relevante. O mês consolidou faixas claras: R$ 180–200/sc FOB Paraná para o grão recém-colhido e R$ 160–170/sc para o padrão comercial. “Mesmo com menor volatilidade, houve retomada gradual do giro e aumento da circulação de amostras”, afirmou.
Para ele, a principal mudança estrutural foi o reposicionamento do preto como válvula de escape do sistema, diante da forte disparidade frente ao carioca. Com diferença de R$ 100–150/sc, a variedade do feijão preto passa a atender indústrias de cestas básicas e consumidores mais sensíveis a preço, ativando um efeito substituição concreto.
Do lado da oferta, fevereiro acendeu alertas: Paraná entrou em sua breve entressafra com redução de área na 2ª safra 2025/26, enquanto o Rio Grande do Sul enfrentou perdas irreversíveis por estresse hídrico, limitando o potencial produtivo adiante. O equilíbrio observado é funcional, porém frágil, dependente do comportamento do varejo.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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