O mercado de feijão carioca teve uma semana com desempenho mais firme do que o esperado para o período, mesmo diante de liquidez irregular e forte seletividade dos compradores. A avaliação é do analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, que aponta que, após um ajuste inicial, com recuos pontuais entre R$ 5 e R$ 10 por saca no início da semana, os preços encontraram suporte e passaram a operar de forma lateralizada, sustentados pela estratégia de retenção de oferta física e pela concentração da demanda em grãos comerciais.
No CIF São Paulo, as referências permaneceram estáveis, com o grão extra nota 9,5 negociado entre R$ 250 e R$ 255 por saca, notas 8,5 entre R$ 225 e R$ 230 por saca e o tipo 8 concentrando maior volume entre R$ 215 e R$ 225 por saca, inclusive com rumores de aproximadamente 2.000 sacas fechadas a R$ 215 por saca.
“A oferta semanal variou de 3.800 a pouco mais de 8.000 sacas, volume moderado para o período, com origens concentradas em Minas Gerais e São Paulo, enquanto o Paraná segue com envio limitado de amostras”, informa Oliveira.
No mercado FOB, o analista destaca que o Noroeste de Minas manteve-se como a praça mais valorizada, com grão extra até R$ 240–242 por saca e notas 8 e 8,5 até R$ 225 por saca. O interior paulista operou com extra a R$ 237 por saca e intermediários entre R$ 220 e R$ 222 por saca. Já o Triângulo Mineiro registrou negócios de intermediário até R$ 215 por saca, enquanto Sorriso (MT) operou entre R$ 194 e R$ 197 por saca e o Sul do Paraná entre R$ 199 e R$ 201 por saca.
Segundo Oliveira, os compradores permanecem bem abastecidos e atuam de forma enxuta, porém a demanda represada e a retenção física (especialmente do tipo 8) mantêm o mercado tecnicamente ajustado e com assimetria positiva para eventuais reajustes.
Preto encerra período com firmeza relativa sustentada por qualidade
O feijão preto manteve ao longo da semana um ambiente mais pressionado, com baixa liquidez e formação de preços fragmentada, refletindo estoques elevados nas indústrias e consumo doméstico ainda fraco.
O especialista relata que no CIF São Paulo, os padrões superiores permaneceram firmes entre R$ 165 e R$ 170 por saca, enquanto nichos específicos de feijão maquinado em saca de 30 quilos alcançaram até R$ 185 por saca, evidenciando prêmio claro por qualidade.
No FOB Paraná, as referências oscilaram entre R$ 136 e R$ 138 por saca no Noroeste e entre R$ 138 e R$ 142 por saca no Sul, com o grão recém-colhido consolidando indicações recorrentes em torno de R$ 150 por saca como novo padrão regional.
“Do lado da oferta, o Paraná já superou 40% da colheita, mesmo com área reduzida para menos de 104 mil hectares, queda próxima de 40% frente à safra anterior”, relata Oliveira.
No Rio Grande do Sul, a safra avança para a reta final, com área estimada em 26.096 hectares e produtividade média projetada de 1.779 quilos por hectare, embora haja perdas localizadas por estresse hídrico e atrasos pontuais de colheita em função das chuvas recentes.
“Em nível nacional, a colheita segue atrasada apesar do plantio adiantado, reforçando um quadro de oferta distribuída no tempo”, analisa sobre o estado gaúcho.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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