Porto Alegre, 11 de setembro de 2026 – A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) informou nesta quinta-feira (10/09) que voltou a receber relatos de produtores rurais sobre restrições e atrasos na entrega de óleo diesel no Estado, no momento em que começa o plantio da safra de verão. Em vídeo divulgado nas redes sociais da entidade, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, classificou o episódio como uma repetição de um problema já registrado no início do ano.
“No início do ano, em plena colheita de arroz e soja, enfrentamos uma situação semelhante. Naquele momento, havia informação oficial de que existiam estoques no Estado, mas o combustível não chegava às propriedades”, afirmou. Segundo ele, a entidade já havia denunciado o problema à época, cobrado explicações das autoridades e defendido uma investigação sobre o funcionamento da cadeia de distribuição. “Agora, o problema reaparece em um momento igualmente decisivo: o início do plantio da safra de verão.”
Para Domingos, o momento é especialmente sensível porque o plantio tem prazo limitado. “O plantio tem uma janela que não pode ser adiada indefinidamente. Sem diesel, o produtor perde o momento adequado, pode reduzir a área plantada e comprometer a produtividade”, disse. O resultado, segundo ele, é “menor produção, menos renda circulando nos municípios e impacto negativo sobre a economia e o PIB”.
O presidente da Farsul apontou ainda um segundo efeito da escassez: o encarecimento do combustível para quem consegue comprá-lo. “Quem ainda consegue receber o combustível pode ter de pagar mais caro. Isso aumenta o custo das máquinas, do transporte, do plantio e de toda a cadeia de produção”. Na avaliação da entidade, os dois cenários, falta de diesel e combustível mais caro, convergem para o risco de pressão sobre os preços dos alimentos.
Como indício do problema, a Farsul cita dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), segundo os quais o preço nacional do diesel A ficou abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com diferença que chegou a R$ 2,56 por litro. “Isso não comprova, isoladamente, uma falta física de produto. Mas é um sinal de alerta, porque reduz o incentivo econômico à importação em um país que depende do mercado externo para mais de um quarto do diesel que consome”, afirmou Domingos.
Subvenção federal
O presidente da Farsul também comentou a medida anunciada pelo governo federal em 9 de setembro, que instituiu uma subvenção de R$ 1 por litro para produtores e importadores de diesel. Segundo ele, a iniciativa é bem-vinda, mas depende de execução. “A medida é necessária, mas precisa produzir resultado concreto. O benefício deve aparecer no preço e, principalmente, o combustível precisa chegar até o produtor”, disse.
A entidade afirma estar reunindo relatos de produtores e diz que vai exigir transparência sobre estoques regionais, pedidos recusados, volumes destinados aos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), calendário de importações e prazos de entrega. A Farsul também pediu que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) “investigue imediatamente eventuais recusas injustificadas de fornecimento e aumentos abusivos de preços”.
“A Farsul está reunindo os relatos dos produtores e continuará cobrando providências de todos os envolvidos”, afirmou o presidente, ao encerrar o vídeo. “Diesel no momento certo e a um preço economicamente viável não é um privilégio do setor rural. É condição para produzir alimentos, preservar empregos, sustentar a economia e proteger o consumidor brasileiro.”
As informações são da Farsul.
Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
Copyright 2026





