A Eletrobras informa que, no âmbito da Assembleia Geral Ordinária prevista para ocorrer em 29 de abril, recebeu indicações de candidatos para os conselhos de administração e fiscal por acionistas da companhia e apresentou sua proposta de composição do novo colegiado, incluindo três nomes indicados pela União e a recondução da maioria dos membros atuais. Conforme proposta encaminhada para deliberação, podem entrar no conselho os indicados pelo governo Maurício Tolmasquim, Silas Rondeau e Nelson Hubner. Além disso, para o conselho fiscal, entraria o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, também indicado pela União. Outra indicada para entrar no colegiado foi Vanessa Claro Lopes.
O conselho indicou para reeleição Vicente Falconi (presidente e membro independente) e os independentes Ana Silvia Corso Matte, Daniel Alves Ferreira, Felipe Villela Dias, Marisete Fatima Dadald Pereira e Pedro Batista de Lima Filho.
O conselho de administração da Eletrobras, para fins de eleição do colegiado para o biênio 2025-2027, propõe: (a) aos acionistas ordinaristas, uma relação de 9 candidatos, sendo 2 (dois) indicados pela acionista União, em linha com o pactuado no Termo de Conciliação, e conforme esclarecimentos prestados nos item 1.8 Manual de Participação; e (b) aos acionistas preferencialistas, 1 (um) candidato para eleição em separado.
Em reunião realizada ontem (27), o Comitê de Pessoas e Governança da Eletrobras analisou a proposta de indicação de todos os candidatos cuja documentação foi regularmente submetida à companhia, incluindo aqueles indicados pelos acionistas, tendo opinado favoravelmente, por unanimidade, pela elegibilidade destes.
Em atendimento ao previsto no Termo de Conciliação firmado entre a Companhia e a União em razão da ADI n. 7385, que tramita no Supremo Tribunal Federal, os candidatos indicados pela União foram incluídos na proposta da administração.
Acionistas indicam candidatos aos conselhos de administração e fiscal
Os acionistas Fundo de Investimento em Ações Dinâmica Energia, administrado pelo Banco Clássico Geração L. Par Fundo de Investimento em Ações, representado por sua gestora Plural Investimentos Gestão de Recursos Ltda.; Tempo Capital Principal Fundo de Investimento Financeiro de Ações, representado por sua gestora Tempo Capital Gestão de Recursos Ltda.; RPS Administradora de Recursos Ltda.; e Clave Gestora de Recursos Ltda., respectivamente, indicaram para a eleição geral do conselho de administração, em que votam os acionistas titulares de ações ordinárias da Eletrobras, os candidatos José João Abdalla Filho e Marcelo Gasparino da Silva aos cargos de membros independentes.
E para a eleição em separado, em que votam os acionistas titulares de ações preferenciais da companhia, os mesmos acionistas indicaram Rachel de Oliveira Maia, também à posição de membro independente do conselho.
Para o conselho fiscal, fundos sob gestão da SPX Gestão de Recursos, na condição de acionistas ordinarista, indicaram os seguintes nomes: Marcelo Souza Monteiro (Efetivo); José Ricardo Elbel Simão (Suplente); Cristina Fontes Doherty (Efetivo); Alessandra Eloy Gadelha (Suplente); Saulo Benigno Puttini (Efetivo); Márcio Eduardo Matta de Andrade Prado (Suplente); José Raimundo dos Santos (Efetivo); Paulo Roberto Bellentani Brandão (Suplente); Carlos Eduardo Teixeira Taveiros (Efetivo); e Rochana Grossi Freire (Suplente).
Já os acionistas preferencialistas Radar Master FIA, Maliko Investments LLC, Xingo FIA, Tucurui FIA, Infrad Master FIA, Manuka Investments LLC., representados por sua gestora Radar Gestora de Recursos Ltda., indicaram ao conselho fiscal Gisomar Francisco de Bittencourt Marinho (Efetivo) e Paulo Roberto Franceschi (Suplente); e os acionistas Geração L., Tempo Capital, RPS e Clave indicaram Ivanyra Maura de Medeiros Correia (Efetivo) e Antonio Candido Prataviera Calcagnotto (Suplente).
Atual composição
O conselho de administração da Eletrobras atualmente é composto por Vicente Falconi (presidente e membro independente) e os independentes: Ivan de Souza Monteiro, Marcelo Gasparino da Silva, Marisete Fatima Dadald Pereira, Pedro Batista de Lima Filho, Daniel Alves Ferreira, Felipe Villela Dias e Ana Silvia Corso Matte. O único membro não independente é Marcelo de Siqueira Freitas.
O conselho fiscal atualmente é composto pelos seguintes titulares: Carlos Eduardo Teixeira Taveiros, Gisomar Francisco de Bittencourt Marinho, José Raimundo dos Santos e Ricardo Bertucci.
Para Genial, indicações da União já estão precificadas, mas podem trazer algum desconforto; ações caem
São Paulo, 28 de março de 2025 – A Genial Investimentos avalia que as indicações da União aos conselhos de administração e fiscal da Eletrobras já estão nos preços atuais das ações da companhia, mas podem gerar uma pressão negativa devido à proximidade dos nomes com a atual gestão, na avaliação da corretora. Perto do fechamento do pregão, os papéis ordinário (ELET3 ON) e preferencial (ELET6 PNB) da companhia recuavam 1,36% e 1,28%, respectivamente, a R$ 41,10 e R$ 44,63.
“O presidente Lula indicou Guido Mantega ao conselho fiscal da Eletrobras. Para os outros três assentos no conselho administrativos, dois ex-ministros de Minas e Energia que exerceram o cargo durante outros mandatos do presidente Lula, também já foram indicados. São eles: Nelson Rubner e Silas Rondeau. Também houve a indicação de Mauricio Tolmasquim, diretor executivo de transição energética e sustentabilidade na Petrobras. A assembleia para definição desse nome ocorrerá no dia 29 de abril”, contextualiza a Genial.
A Genial lembra que as indicações do governo foram possíveis a partir do acordo fechado com a Eletrobras, no fim de fevereiro deste ano, para o fim da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), movida pelo Advocacia Geral da União (AGU), que questionava o modelo de privatização da companhia e buscava ampliar a participação da União na governança da empresa. A disputa estava no Supremo Tribunal Federal (STF). Os termos dessa negociação serão submetidos à deliberação de acionistas em assembleia extraordinária que será realizada também em 29 de abril, antes da assembleia ordinária.
“A notícia refere-se a um dos acordos realizados para o fim da ADI. No acordo, a União teria uma vaga no conselho fiscal e três vagas no conselho administrativo. Portanto, em alguma medida, o tema já foi precificado e como sabemos, os indicados são minoria dentro de um conselho de 10 membros. No entanto, a escolha dos nomes indicados materializa escolhas bem próximas a atual gestão do governo, o que pode trazer algum desconforto em um primeiro instante”, opina.
Ainda assim, a Genial segue construtiva com o case da Eletrobras e recomenda a compra da ação ELET3, com preço-alvo de R$ 52,00.
Eletrobras assina com a ENBPAR termo de suspensão e rescisão
A Eletrobras informou que assinou com a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPAR) o Termo de imediata suspensão e rescisão condicionada do acordo de investimentos celebrado, em 22 de abril de 2022, entre a Eletrobras e a ENBPAR, conforme previsto no Termo de Conciliação decorrente dos trabalhos da Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Federal (CCAF) constituída para tentativa de conciliação e solução consensual e amigável entre as partes, nos termos da decisão proferida pelo Ministro Nunes Marques, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.385, em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal.
A companhia também convocou a assembleia geral extraordinária, a ser realizada em 29 de abril de 2025, que deliberará sobre a aprovação do referido Termo de Conciliação, o qual será posteriormente submetido à homologação do Supremo Tribunal Federal.
Ontem, a Eletrobras informou que assinou com a União o Termo de Conciliação que permite à União indicar três nomes para o conselho de administração da companhia, alterando o que foi estabelecido na privatização, que havia reduzido a participação do Estado nas decisões.
Cynara Escobar e Emerson Lopes – Safras News
Copyright 2025 – Grupo CMA