São Paulo, 12 de março de 2026 – O dólar comercial fechou em forte alta, de 1,67%, cotado a R$ 5,2457. A moeda refletiu a aversão ao risco global devido a piora da guerra e seus impactos no petróleo e dados de inflação acima do esperado no Brasil.
Os contratos futuros de petróleo seguiram em disparada e, hoje, mais que dobraram a intensidade vista na última sessão, ultrapassando a marca de US$ 100 o barril no caso do Brent. O movimento acontece devido aos ataques a petroleiros no Golfo e aos alertas do Irã, o que frustraram as perspectivas de uma iminente desescalada da guerra.
Na manhã de hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do IPCA, que acelerou de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro, maior taxa desde fevereiro de 2025 (1,31%). O Termômetro Safras esperava ganho de 0,65%.
A maior variação e impacto foram registrados no grupo Educação (5,21% e 0,31 p.p.), devido aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e cursos. Junto com a alta no grupo Transportes (0,74% e 0,15 p.p.), os dois grupos representaram aproximadamente 66% do resultado do mês.
No ano, o IPCA acumula alta de 1,03% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. É o que mostra o resultado do índice oficial de inflação do país – IPCA, divulgado hoje (12) pelo IBGE. Para 12 meses, o Termômetro Safras estimava 3,77%.
Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ourinbank, o movimento do dia refletiu a piora do cenário externo, com o aumento do câmbio atribuído ao aumento do preço do petróleo. “A questão dos combustíveis aqui no Brasil também acabou interferindo nesse momento de maior aversão ao risco. Do lado dos juros, tivemos aumento do IPCA de fevereiro, com resultado um pouco acima do que o mercado esperava.”
A economista observa que, embora a inflação acumulada em 12 meses esteja desacelerando, existe uma preocupação de que o cenário externo provoque aumento da inflação adiante e atrapalhar o início do ciclo de corte de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que é esperado pelo mercado. “Isso também trouxe um ambiente de aumento da aversão ao risco para os juros também, já têm algumas casas revisando o IPCA para cima, para este ano. Eu acho que ainda é cedo para revisar todo esse cenário, acho que é necessário uma avaliação mais detalhada do que está acontecendo no momento para entender como todas essas variáveis serão afetadas ao longo dos próximos meses. Mas, como existe essa incerteza no radar, isso acaba gerando volatilidade para os preços doa ativos, que foi o que vimos hoje.”
Juros
As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam majoritariamente em alta.
Por volta das 17h24 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 13,995%, um avanço de 2,07%; o DI para janeiro de 2028 projetava taxa de 13,465%, alta de 2,20%; o DI para janeiro de 2029 ia a 13,485% (+2,15); e o DI para janeiro de 2030 com taxa de 13,655% (+2,16%).
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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