A Agência Internacional de Energia (AIE), em seu relatório mensal de petróleo, estima que a demanda pela commodity deve subir em 850 mil barris de petróleo (bpd) em 2026, acima dos 770 mil bpd de 2025. Segundo a entidade, países que não fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), especialmente a China, serão responsáveis por boa parte do aumento.
Já a oferta mundial de petróleo caiu em 1,2 milhão de bpd em janeiro, para 106,6 milhão de bpd, à medida que condições severas de inverno interromperam operações na América do Norte. Além disso, interrupções e restrições de exportação reduziram os fluxos do Cazaquistão, Rússia e Venezuela. Após ganhos de quase 3,1 milhões de bpd em 2025, a produção global de petróleo agora é projetada para aumentar em 2,4 milhões de bpd em 2026, para 108,6 milhões de bpd, com crescimento dividido de forma aproximadamente equilibrada entre produtores não pertencentes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) e Opep+.
As taxas globais de processamento de petróleo bruto em refinarias caíram de um recorde histórico de 86,3 milhões de bpd em dezembro para 85,7 milhões de bpd em janeiro, à medida que o início da manutenção e margens mais baixas impactaram a atividade.
Preços de referência
A AIE aponta que os preços de referência do petróleo bruto dispararam US$ 10 por barril ao longo de janeiro, já que várias interrupções de oferta apertaram os mercados físicos de petróleo bruto e as tensões geopolíticas aumentaram entre o Irã e os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, os produtores da Opep+ reafirmaram seu plano de manter as atuais cotas de produção até março. Nesse contexto, espera-se que a oferta global de petróleo se recupere nos próximos meses, à medida que a produção se recupere da queda excepcional em janeiro, quando o clima extremo de inverno forçou o fechamento de mais de 1 milhão de bpd de produção na América do Norte. Além disso, interrupções prolongadas no principal terminal de exportação do Cazaquistão desde novembro foram agravadas por uma queda de energia no maior campo do país no mês passado, apertando temporariamente os mercados de petróleo bruto leve da Bacia do Atlântico.
A oferta russa também caiu em janeiro, em expressivos 350 mil bpd, com seus principais clientes sofrendo pressão crescente de Washington e de sanções mais amplas da União Europeia. Os embarques para a India foram particularmente atingidos, pois novas restrições da UE às importações de produtos petrolíferos derivados de petróleo bruto russo levaram refinarias exportadoras chave a procurar suprimentos alternativos.
Por outro lado, segundo a AIE, as entregas de petróleo bruto russo para a China dispararam para um recorde histórico no mês passado. A produção de petróleo bruto venezuelano caiu 210 mil bpd mês a mês para 780 mil bpd em janeiro, mas espera-se que sua produção se recupere depois que Washington autorizou um caminho para empresas incorporadas nos EUA (incluindo subsidiárias baseadas nos EUA de firmas internacionais) exportarem petróleo venezuelano.

