Porto Alegre, 2 de abril de 2026 – O mercado internacional de algodão teve um mês de forte valorização em março. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos com entrega em maio do açúcar bruto fecharam a sessão do dia 31 de março a 70,00 centavos de dólar por libra-peso, ante 65,61 centavos em 27 de fevereiro, uma alta de 6,7%. Também dia 31 de março, o contrato atingiu uma máxima de 71,38 centavos, maior nível em mais de dez meses.
Segundo o analista da Consultoria Safras & Mercado, Gil Barabach, o mercado de algodão foi fortemente influenciado pelo conflito no Oriente Médio ao longo de março. “As mudanças de humor, diante de avanços e retrocessos nas negociações envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã em torno de um possível cessar-fogo, continuam ditando o comportamento dos mercados”, assinalou.
Por um lado, a disparada do petróleo eleva o custo das fibras sintéticas concorrentes do algodão — em meio a disparada do petróleo a relação de preços entre algodão e poliéster atingiu o melhor patamar desde 2020. Por outro, o petróleo mais caro aumenta os custos globais, pressiona a inflação e pode desacelerar a economia, reduzindo a renda da população. “Essa leitura é negativa para o consumo de algodão, que é muito sensível à variação de renda”, pontuou Barabach.
A alta recente dos preços, somada às incertezas logísticas, econômicas e geopolíticas, tem gerado maior cautela entre os compradores, refletida em uma atuação mais curta das fiações. A duração do conflito começa a pesar mais do que o efeito positivo vindo do encarecimento das fibras concorrentes, o que traz um viés mais negativo para os preços do algodão.
A correlação entre o preço do algodão com o petróleo aumentou, mas ainda permanece relativamente baixa, em torno de 54 pontos. Isso porque ganhou força no radar dos operadores em Nova York a preocupação com a próxima safra norte-americana, impactada por uma seca relevante que atinge boa parte do cinturão produtor. Esse fator climático atua como suporte adicional para os preços do algodão no terminal de Nova York.
Fabio Rubenich – fabio@safras.com.br (Safras News)
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