São Paulo, 10 de março de 2026 – A Cosan reportou um prejuízo líquido de R$5,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, um recuo de 38% em relação ao prejuízo de quase R$9,3 bilhões registrado no mesmo período de 2024, segundo relatório apresentado após o fechamento de ontem (9). O desempenho foi impactado, principalmente, por efeitos pontuais e sem efeito caixa do impairment (perda por redução ao valor recuperável) de determinados ativos da Raízen, reconhecidos em função da aplicação de procedimentos contábeis decorrentes da incerteza significativa quanto à sua continuidade operacional (going concern), decorrente do desequilíbrio de sua estrutura de capital, justificou a holding, no relatório divulgado após o fechamento dos mercados de segunda-feira (9).
No acumulado do ano passado, o prejuízo totalizou R$ 9,7 bilhões, alta de 3% em comparação ao prejuízo de R$ 9,4 bilhões registrado em 2024. O resultado foi majoritariamente explicado pelo prejuízo reportado na Raízen. Na comparação anual, a variação de 3% reflete, principalmente, o reconhecimento do impairment das ações da Vale, ocorrido em 2024.
O prejuízo líquido ajustado foi de R$ 713 milhões no 4T25, queda de 55% na comparação anual. No ano, o prejuízo ajustado totalizou R$ 4,0 bilhões, ante prejuízo ajustado de R$ 943 milhões em 2024.
A receita operacional líquida do conglomerado alcançou R$9,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, 18% menor que o visto no mesmo período do ano anterior. Em 2025, a companhia somou R$ 40,4 bilhões no indicador, queda de 8% na comparação anual.
O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre outubro e dezembro foi negativo em R$ 3,8 bilhões, ante prejuízo operacional de R$ 1,7 bilhão no mesmo intervalo de 2024.
No quarto trimestre de 2025, o resultado de equivalência patrimonial da Cosan Corporativo foi negativo em R$ 7,2 bilhões, representando uma redução de R$ 2,0 bilhões quando comparado com o mesmo período de 2024. Esse resultado decorre, principalmente, do reconhecimento pontual e sem efeito caixa de impairment de determinados ativos da Raízen. Na comparação anual, a variação negativa de R$ 6,2 bilhões é explicada pelos mesmos fatores que impactaram o resultado trimestral.
Ao final do trimestre, a dívida líquida expandida da Cosan era de R$ 9,8 bilhões, queda de 58% na comparação anual e uma redução de 46% na comparação com o 3T25. “A queda deveu-se, principalmente, à entrada dos recursos em novembro, resultado das ofertas públicas de ações e consequente injeção de capital, da venda de ações da Rumo com celebração de total return swap e do impacto positivo da variação cambial nos bonds. Em contrapartida, passamos a incluir a estrutura de ações preferenciais da Cosan Dez na dívida líquida, uma vez que o instrumento renegociado possui cláusula de opção de venda (put option)”, disse a empresa.
No trimestre, o Indice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) encerrou em 0,9 vez, representando uma redução de 0,1 vez em relação ao 3T25.
A companhia encerrou o trimestre com uma alavancagem pro forma expandida de 3,3 vezes, superior a 2,9 vezes no 4T24, mas inferior em 0,4 vez em relação ao 3T25. A redução reflete o menor saldo de dívida líquida, decorrente principalmente do maior saldo de caixa e equivalentes.
Mensagem da administração
No relatório divulgado na segunda-feira (9), a diretoria da Cosan disse que encerrou o ano de 2025 “ainda em um ambiente macroeconômico desafiador no Brasil e, mesmo diante desse cenário”, conseguiu “dar passos fundamentais para o aprimoramento da estrutura de capital da Cosan e redução do endividamento”. “Concluímos a capitalização e entrada dos novos sócios estratégicos, reforçando nossa governança e aportando estabilidade de capital para o longo prazo.”
“No portfólio de negócios, após um ano repleto de adversidades, as companhias controladas mostraram resiliência e adaptabilidade nos resultados operacionais”, disse a administração da empresa, que disse ter detalhado os números no relatório financeiro trimestral divulgado ontem.
Em relação ao desempenho do seu portfólio, a Cosan disse que entra no ano de 2026 com a simplificação da sua estrutura organizacional e com pré-pagamento de dívidas, cujo principal totalizou aproximadamente R$ 6,2 bilhões. “Em Compass, anunciamos a intenção de fazer uma oferta pública de ações secundária, com foco em avançar na redução do endividamento da Cosan.”
A diretoria da empresa vai comentar os resultados nesta terça-feira, em teleconferência às 10h.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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