São Paulo, 10 de março de 2026 – Na teleconferência com o mercado sobre os resultados trimestrais da Cosan, na manhã desta terça-feira, o CEO Marcelo Martins disse que as conversas sobre a capitalização da Raízen “já acontecem há bastante tempo” e que os movimentos de ‘liability management’ visam proteger a holding. A controladora registrou prejuízo no quarto trimestre e no ano de 2025, em grande parte, explicado pelo prejuízo reportado na Raízen. O auditor externo independente da Cosan aprovou os resultados da holding referente ao ano de 2025 sem ressalvas, mas chamou atenção sobre os possíveis impactos que a companhia poderia sofrer com a severa crise enfrentada pela controlada.
“Tivemos várias discussões que demandavam o futuro da Raízen, com a busca de uma solução para a Raízen que não impactasse a Cosan. A discussão estabelecia que o valor não podia ser maior que aumento de capital na Raízen. Gostamos muitos meses, de forma bastante engajada, com 80% do tempo na busca de uma solução para Raízen. Trouxemos diversas alternativas, avaliadas pelos sócios, especialmente pela Shell, e não conseguimos chegar a uma solução para Raízen”, disse o presidente da Cosan, em resposta aos questionamentos sobre o futuro dos negócios.
Segundo ele, não houve um entendimento com a Shell sobre o assunto e foram consideradas alternativas como a separação dos negócios. “Publicamos fato relevente informando que as discussões tem evoluído e o não comprometimento com a contribuição de capital”.
O CEO disse que a Cosan quer uma solução definitiva e adequada à sua estrutura de capital e isso será determinante para a conclusão das negociações sobre a capitalização da Raízen. Ele prometeu uma definição sobre o assunto dentro das próximas semanas na teleconferência realizada na manhã de hoje.
Em relação à reestruturação da Cosan, o diretor disse que o papel da holding está sendo adaptado para aumentar a eficiência nas empresas do seu portólio. “Em um período muito curto de tempo, conseguimos mobilizar a equipe para a intenção de fazer uma oferta da Compass, com o objetivo de reduzir a alavancagem e gerar mais valor para os nossos acionistas”, disse, em relação às medidas que vem sendo adotadas pela companhia para reduzir o seu endividamento, como o anúncio da intenção de fazer uma oferta pública de ações secundária da controlada de gás e energia.
No balanço do 4T25, a Cosan disse que, ao longo de 2025, executou uma estratégia de ‘liability management’ organizada em três frentes complementares:
Entre janeiro e março, foram realizadas iniciativas de desalavancagem ativa e redução da dívida bruta, incluindo: o resgate antecipado da 1a série da 3a emissão de debêntures, no montante de R$ 750 milhões; o resgate antecipado de Senior Notes com vencimento em 2027, no valor de R$ 2,3 bilhões; a oferta de recompra de Senior Notes com vencimentos em 2029, 2030 e 2031, totalizando aproximadamente R$ 4,6 bilhões; e a oferta de aquisição da 5a e 6a emissão de debêntures, no montante de R$ 1,1 bilhão.
Ainda em março, a companhia avançou na otimização de seu passivo financeiro por meio da 12a emissão de debêntures, no valor de R$ 2,4 bilhões, contribuindo para o alongamento do perfil de vencimentos e a redução do custo da dívida. No mesmo mês, efetuamos o resgate parcial de Cosan Nove no montante de R$ 2,2 bilhões.
No segundo semestre, a companhia fortaleceu sua estrutura de capital com a operação de follow-on no valor de R$ 10,5 bilhões, ampliou sua flexibilidade financeira com a venda e estruturação de um Total Return Swap (TRS) lastreado em ações da Rumo no valor de R$ 2,8 bilhões e otimizou custos com a renegociação das ações preferenciais da Cosan Dez.
O cronograma de amortização de principal das dívidas da Cosan previa um prazo médio de aproximadamente 5,8 anos (versus 5,9 anos no 3T25) em 31 de dezembro de 2025.
ZERAR A DIVIDA
O CEO da Cosan disse que o objetivo do processo de reestruturação da Cosan tem o objetivo de zerar a dívida da holding, mas que as empresas não serão vendidas “a qualquer preço”. “Não excluímos nenhum ativo a ser vendido, mas negamos que um ativo será vendido na sua totalidade”, comentou, em referência a notícias que circulam no marcado sobre a venda de empresas do grupo, como a Rumo.
A diretoria da Cosan negou notícias sobre a venda total da Rumo. “A especulação atual de que estaríamos engajados na venda total da Rumo não é verdadeira”, frisou, classificando as notícias como resultado de “um movimento especulativo” de eventuais interessados para reduzir o valor dos ativos da companhia.
Bergman disse que qualquer especulação sobre a venda de qualquer fatia dos seus negócios é especulativa, pois não há nada definido. “A não separação dos negócios, para nós, é um problema. Cada negócio tem uma estrutura de capital distinta”, comentou.
MOOVE
A diretoria da Cosan disse que a Moove recuperou sua capacidade produtiva em termos de volume e vem recuperando seu market share após incêndio na planta do Rio de Janeiro. “Apesar de um ano [2025] muito difícil, mostramos nossa resiliciância e a capacidade de recuperação do time da Moove”, comentou o diretor financeiro Rafael Bergman.
No relatório apresentado ontem (9), a Cosan informou que o ebitda da Moove foi de R$ 292 milhões no 4T25, ligeira redução de 2% em relação ao 4T24, com destaque para a estabilização do novo ecossistema operacional na América do Sul e a finalização do processo de regulação do sinistro da planta do Rio de Janeiro. No acumulado de 2025, o ebitda da Moove atingiu R$ 1,4 bilhão, em linha com o ano anterior.
Com relação ao volume de vendas, houve uma retração de 7% em 2025 na comparação anual, refletindo os impactos operacionais decorrentes do incêndio na planta do Rio de Janeiro. Com relação aos investimentos, a companhia vem executando os projetos de melhoria operacional na sua plataforma de manufatura e distribuição, no Brasil e no exterior, sem intercorrências, e coerente com a faixa de investimento histórico.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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