Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2026 – O mercado brasileiro de soja teve em fevereiro mais um mês de comercialização travada e de preços entre estáveis e mais baixos. Os contratos futuros subiram em Chicago, mas o impacto sobre os preços internos foi compensado pelos prêmios mais baixos e pelo câmbio.
Os produtores colocaram a comercialização em um segundo plano, aguardando por preços melhores e priorizando a colheita. Mesmo com problemas climáticos pontuais, o Brasil deve colher a maior safra da história, motivo de pressão sobre as cotações globais.
No exterior, Chicago teve um mês positivo, respondendo a expectativas favoráveis em termos de demanda. internamente, a aposta é de que o governo Trump confirme incentivo ao setor de biodiesel, o que deverá aumentar a procura pelo grão.
Mas boa parte dos ganhos acumulados em Chicago em fevereiro foi decorrente das especulações em torno de um acordo comercial entre China e Estados Unidos. A percepção é que, após encontro agendado para os próximos dias entre Donald Trump e Xi Jinping, nova metas de negócios envolvendo a soja sejam estabelecidas.
Em relação á próxima safra americana, o sentimento inicial é de ampliação de área, em detrimento do milho. Ao menos foi o que sinalizou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) durante a realização do Fórum Anual. A primeira indicação oficial sobre o plantio americano sai no dia 31 de março.
Safra
A produção brasileira de soja em 2025/26 deverá totalizar 177,72 milhões de toneladas, com elevação de 3,4% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 171,84 milhões de toneladas. A estimativa é de Safras & Mercado. Em 16 de janeiro, data da estimativa anterior, a projeção era de 179,28 milhões de toneladas.
Safras indica aumento de 1,5% na área, estimada em 48,33 milhões de hectares. Em 2024/25, o plantio ocupou 47,64 milhões de hectares. O levantamento aponta que a produtividade média deverá passar de 3.625 quilos por hectare para 3.696 quilos.
“De maneira geral, a safra brasileira segue como recorde. No entanto, houve ajustes pontuais de produtividade, especialmente no estado do Rio Grande do Sul, em função do estresse climático”, aponta o analista de soja da equipe de Inteligência de Mercado de Safras & Mercado, Rafael Silveira.
O maior ajuste ocorreu na safra gaúcha, onde devem se consolidar perdas relevantes. A produção saiu de um potencial estimado entre 22 milhões e 23 milhões de toneladas para cerca de 20,9 milhões, podendo ainda haver novas revisões. A produtividade média no estado está projetada em 51 sacas por hectare.
No Centro-Oeste, houve ajustes para o estado do Mato Grosso, com produção estimada em 49,27 milhões de toneladas e produtividade média de 64,33 sacas por hectare, impactada pelo excesso de chuvas.
“O Centro-Oeste está colocando uma grande produção no mercado. Em Minas Gerais e São Paulo, as expectativas seguem favoráveis, com possibilidade inclusive de revisões positivas. Já nos estados do Nordeste, o quadro permanece positivo”, indica o analista. “O plantio mais tardio não implicou, necessariamente, perdas potenciais. Pelo contrário, há ótima expectativas com a safra no Nordeste, pois o clima tem sido mais chuvoso. A região do MAPITO apresenta, até o momento, boas condições para produtividade”.
Oferta e demanda
As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 105 milhões de toneladas em 2026, contra 108,2 milhões em 2025, com uma retração de 3%. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado. Não houve alteração na comparação com o relatório anterior, divulgado em janeiro.
Safras projetou esmagamento de 60 milhões de toneladas em 2026. Para 2025 o número é de 58,5 milhões de toneladas em 2025. A consultoria aponta importação de 200 mil toneladas em 2026. Para 2025, o volume importado está previsto em 969 mil toneladas.
Em relação à temporada 2026, a oferta total de soja deverá subir 5%, passando para 182,43 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 168,42 milhões de toneladas, recuando 1% sobre o ano anterior. Desta forma, os estoques finais deverão se elevar em 211%, passando de 4,51 milhões para 14,01 milhões de toneladas.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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