Porto Alegre, 29 de abril de 2026 – O mercado internacional de café teve comportamento bem distinto em maio para o arábica e conilon/robusta. Enquanto o arábica na Bolsa de Nova York teve um balanço mensal negativo para as cotações, o robusta subiu em Londres, e este movimento também foi observado no mercado físico brasileiro.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, as cotações do arábica caíram na Bolsa de Nova York em maio com a expectativa de safra recorde no Brasil no total, com grande produção de arábica, em meio à volatilidade financeira. Destaca que a previsão dos adidos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta mais café em 2026/27. Além do Brasil, os adidos indicam boas safras principalmente na Colômbia e Vietnã, reforçando a ideia de oferta bem mais tranquila no próximo ciclo comercial.
“Essas questões explicam a inclinação negativa na curva de preços em NY”, pondera. Completa que o dólar mais alto contra o real e outras moedas também pesou contra os preços. No Brasil, o dólar comercial até o fechamento de 28 de maio acumulava alta de 1,6% no mês.
Já o robusta na Bolsa de Londres subiu. “Entre os motivos, temos os estoques certificados baixos no terminal londrino. O atraso na colheita no Brasil, especialmente do conilon, junto aos sinais iniciais de rendimento abaixo do esperado, deram suporte às cotações”, analisa Barabach. Salienta ainda feriado na Indonésia e lentidão nas vendas do Vietnã.
No balanço acumulado de maio, na Bolsa de NY, o contrato julho/2026 do café arábica teve baixa no preço de 6,3%, recuando de 285,55 centavos de dólar por libra-peso ao final de abril para 267,65 centavos (até às 11h desta sexta-feira, 29). O robusta em Londres teve alta de 4,1% no mesmo comparativo no contrato julho no balanço mensal de maio.
O mercado físico brasileiro acompanhou os movimentos de baixa para o arábica em Nova York e de alta do robusta em Londres. Barabach comenta que o mercado passa por um período de transição, com cafés safra nova chegando, mas ainda com os grãos da safra passada presentes na comercialização.
Barabach reforça que o fisico no arábica está com dois mercados bem distintos, com o remanescente e o café novo chegando. O café da safra 2026 é negociado a R$ 1.500 a saca para as melhores descrições. Uma diferença de mais de R$ 200,00 por saca para os grãos safra 2025. “Neste momento, o café safra nova que é o que verdadeiramente está fazendo o mercado, pois o comprador quer café novo”, avalia. O conilon no Brasil avançou acompanhando Londres e com a retranca do vendedor.
O café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, safra velha, acumulou baixa de 3,3% em maio, caindo de R$ 1.790,00 para R$ 1.730,00 a saca na base de compra. No mês de maio, o conilon, tipo 7, em Vitória/Espírito Santo, safra remanescente, acumulou uma alta de 9%, passando de R$ 890,00 a saca para R$ 970,00 a saca na base de compra até o dia 28 de maio.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Safras News)
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