Porto Alegre, 24 de setembro de 2026 – A Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta quinta-feira com preços moderadamente mais baixos.
Em mais uma sessão volátil, NY oscilou entre altos e baixos no dia, mas manteve-se próxima dos patamares mais fracos em quase 3 meses. Houve momentos de suporte com o mercado dando sequência a correções técnicas e cobertura de posições vendidas observadas na quarta-feira. Porém, seguem as indicações que trazem maior tranquilidade quanto à oferta e o abastecimento global.
As condições climáticas são favoráveis no Brasil em período de floradas e pegamento de floradas que vão resultar na safra de 2027. Tem ocorrido chuvas, embora haja preocupações com a sequência da umidade diante do fenômeno El Niño. No Vietnã, maior produtor de robusta do mundo, também as condições são benéficas, o que traz ao mercado o sentimento de que tudo está correndo bem para a oferta futura nos dois maiores países cafeicultores.
As exportações do Brasil seguem muito fortes nos primeiros meses da nova temporada 2026/27 (julho/junho), escoradas na colheita de uma safra possivelmente e provavelmente recorde a se confirmar em 2026. O dólar em alta no dia contra o real foi aspecto baixista, pois traz maior competitividade aos embarques brasileiros.
A Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), em sua terceira estimativa, divulgada nesta quinta-feira, apontou uma produção recorde no país, trazendo natural pressão sobre os preços. Com 99% da área colhida, a produção brasileira de café para 2026, ano de bienalidade positiva, está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, uma alta de 19,6% em comparação à safra de 2025. O resultado é influenciado tanto pelo aumento da área em produção e pela melhora na produtividade média nacional e se configura como o maior da série histórica da Conab).
Para o arábica, espécie que representa cerca de 70% da produção total de café, a estimativa aponta para uma colheita neste ano de 48,2 milhões de sacas, elevação de 34,8% em comparação ao volume obtido em 2025.
No caso do conilon/robusta, a produção estimada para 2026 é de 19,4 milhões de sacas, redução de 6,6% se comparado com o ano passado. Com aumento de 4% na área em produção da variedade, estimada em 386,6 mil hectares, a queda é influenciada pela menor produtividade nacional, impactada principalmente pelo menor desempenho registrado no Espírito Santo.
Os contratos para entrega em dezembro/2026 fecharam a 275,35 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 0,55 centavo, ou de 0,2%. A posição março/2027 fechou a 267,70 centavos, desvalorização de 0,45 centavo, ou de 0,2%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Agência Safras)
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