Porto Alegre, 16 de julho de 2026 – A Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta quinta-feira com preços acentuadamente mais baixos.
As cotações despencaram no dia, mais uma vez acompanhando o robusta em Londres, diante do dólar em alta contra o real e outras moedas. O contrato setembro atingiu o nível mais baixo em mais de uma semana.
A melhora nas exportações brasileiras de café em junho, sugerindo uma disponibilidade mais tranquila para o mercado com a chegada da safra, foi aspecto baixista. Ainda que na temporada 2025/26 os embarques no geral tenham caído, como mostraram dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em junho as vendas cresceram, sugerindo uma disponibilidade maior dos grãos.
O clima mais favorável ao andamento da colheita no Brasil na semana também foi fator citado como de pressão, com a aceleração dos trabalhos e melhores condições para a secagem e beneficiamento dos cafés.
O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 kg de café, para 125 países, nos 12 meses do ano–safra 2025/26, volume que representa queda de 15,7% na comparação com o intervalo de julho de 2024 a junho de 2025. A receita cambial com os embarques teve leve recuo de 1%, para US$ 14,595 bilhões, mas alcançou o segundo melhor desempenho na série histórica, atrás somente da temporada 2024/25. Os dados fazem parte do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A performance no ciclo cafeeiro 2025/26 foi alcançada com a exportação dos 3,060 milhões de sacas e o ingresso de US$ 972,8 milhões em junho deste ano, que representaram alta de 16,9% em volume e recuo de 6% em receita.
Esses números também elevaram os embarques de café do Brasil, no primeiro semestre de 2026, a 17,831 milhões de sacas, com queda de 8,3% frente ao período de janeiro a junho de 2025, e a receita cambial para US$ 6,534 bilhões, 13,3% inferior ao mesmo período do ano passado.
O mercado ainda observou as notícias de isenção da tarifa americana sobre exportações brasileiras. A isenção da tarifa sobre o café brasileiro já era esperada e não deve causar impactos ao mercado. “Era uma medida esperada, atendendo a uma reivindicação da indústria norte-americana, já que não há substituto para o café brasileiro, tanto o verde quanto o solúvel”, disse o consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach.
Barabach lembra que o tarifaço do ano passado, que incluiu o café, trouxe muitos transtornos para a indústria dos Estados Unidos. Antes da imposição das tarifas, o Brasil respondia por cerca de 30% do volume de café importado pelos norte-americanos.
Os contratos para entrega em setembro/2026 fecharam a 312,60 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 14,15 centavos, ou de 4,3%. A posição dezembro/2026 fechou a 297,25 centavos, desvalorização de 12,70 centavos, ou de 4,1%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Safras News)
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