Porto Alegre, 16 de junho de 2026 – A Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta terça-feira com preços acentuadamente mais altos.
O arábica teve forte valorização, na quinta sessão seguida de altas. Os preços no contrato setembro atingiram os patamares mais elevados em um mês, desde 13 de maio.
O clima vem atrapalhando a evolução da colheita no Brasil. O fenômeno El Niño vem resultando em condições chuvosas em plena colheita, atrapalhando o andamento dos trabalhos, que seguem atrasados. Além disso, o problema não é apenas a retirada dos grãos das lavouras, mas também a secagem e beneficiamento do café, o que tem levado aos ganhos observados na bolsa.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, há relatos de preocupações entre os compradores de café no Brasil com a qualidade dos grãos diante dessa umidade fora do normal, especialmente em regiões como o sul de Minas Gerais e São Paulo. Destaca que fatores técnicos contribuem, com o mercado rompendo resistências e acelerando a movimentação positiva.
E a previsão é de manutenção de chuvas no cinturão cafeeiro do Brasil na segunda quinzena de junho, o que vai seguir prejudicando a aceleração da colheita. O mercado também reflete preocupações com o El Niño e seus efeitos sobre a safra de 2027 no Brasil e outras nações produtoras.
O mercado segue reposicionando carteiras ante o período de notificação de entregas do contrato julho, que se aproxima. E as quedas recorrentes nos estoques certificados de arábica na bolsa de NY são outro fator altista para o café que segue presente, trazendo um sentimento de aperto na oferta de curto prazo, ainda mais com esse atraso na colheita no Brasil.
Nem mesmo a subida do dólar contra o real (aspecto baixista) tirou o ímpeto positivo do arábica em NY no dia. Tampouco o tombo do petróleo, que recuou ante as notícias de acordo entre Estados Unidos e Irã para um fim no conflito no Oriente Médio, que pode melhor o fluxo do petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Os contratos para entrega em julho/2026 fecharam a 277,25 centavos de dólar por libra-peso, alta de 14,30 centavos, ou de 5,4%. A posição setembro/2026 fechou a 272,80 centavos, elevação de 13,60 centavos, ou de 5,2%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Safras News)
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