Porto Alegre, 9 de janeiro de 2026 – Refletindo um ambiente ainda marcado por elevada incerteza e ausência de vetores claros, o mercado brasileiro de arroz segue em compasso de espera, com agentes adotando postura defensiva enquanto aguardam sinais mais consistentes sobre os rumos da temporada. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
As negociações permanecem travadas, e as referências de preço no Rio Grande do Sul continuam pressionadas, oscilando entre R$ 48 a saca de 50 quilos para o padrão indústria e R$ 57 a saca para o produto nobre. “Patamares claramente desalinhados com os custos de produção, lembra Oliveira”. Estes, nas regiões mais tradicionais, giram próximos de R$ 75 a saca e podem alcançar R$ 100 a saca em outras regiões fora do Sul, “aprofundando a descapitalização prolongada e severa observada ao longo de toda a cadeia produtiva”.
O principal fator estrutural que limita qualquer reação mais consistente dos preços segue sendo o elevado estoque de passagem. As projeções indicam volumes acima de 2,3 milhões de toneladas ao final da temporada comercial 2025/26 (28 de fevereiro), funcionando como âncora permanente para as cotações e reduzindo a eficácia de movimentos pontuais de retenção de oferta.
No elo final da cadeia, o varejo mantém postura extremamente agressiva, com preços ao consumidor em níveis insustentáveis — promoções de R$ 11,99 por 5 quilos em marcas tradicionais e até abaixo disso em marcas comerciais. “Esse cenário comprimiu margens, reduziu espaço do arroz nas gôndolas e pode gerar um efeito psicológico adverso no consumidor, que passa a internalizar esses valores como ‘preços justos’, dificultando a aceitação de eventuais recomposições futuras”, pondera.
Diante disso, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (8) cotada a R$ 52,37, queda de 0,71% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, a baixa era de 0,94%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingia 47,55%
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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