São Paulo -A Bolsa fechou em queda mais moderada que os índices em Nova York em razão dos dados de empregos formais no Brasil, mas não conseguiu se manter no patamar dos 132 mil pontos. A inflação nos Estados Unidos (PCE, sigla em inglês) azedou o humor dos investidores na sessão de hoje em meio à espera da vigência das tarifas de Donald Trump. Na semana caiu 0,33%.
O principal índice da B3 perdeu 0,93%, aos 131.902,18 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em abril caiu 0,84%, aos 132.635 pontos. O giro financeiro foi de R$ 18,2 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam no negativo.
Felipe SantAnna, especialista em mercado financeiro, diz que a Bolsa caiu forte na primeira metade do pregão, depois melhorou com o Caged.
“Na parte da manhã o mercado estava bem azedo acompanhando o movimento de realização típico das sextas-feiras e a queda das bolsas em NY. O Caged foi o exato momento do início do fluxo de compra, principalmente, em Petro e Vale, no mesmo momento a curva de juros futuros caiu e o dólar também. Foi um movimento de busca de liquidez em meio a um mercado, naquele momento, parado”.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que a bolsa americana caiu muito, com isso esperava-se um dia negativo em renda variável.
“Os dados de mercado de trabalho surpreenderam no Caged, imagino que seguiremos tendo pressão de salários, o que poderia postergar um corte de juros pelo Copom. Além disso, o mercado espera o dia 02 de abril para ver quem será incluído nas tarifas americanas [de Trump]”.
Alexsandro Nishimura, economista e diretor da Nomos, comentou que o dia foi de queda na bolsa brasileira.
“O Ibovespa operou em baixa, mas conseguiu reduzir as perdas após a divulgação do Caged. A baixa seguiu a tendência das bolsas americanas, que sofreram com a piora do índice de sentimento do consumidor e aceleração da inflação, além da proximidade do dia 2 de abril, data na qual podem entrar em vigência as tarifas recíprocas prometidas por Donald Trump”.
Para Nishimura, a melhora no desempenho do Ibovespa se deu no meio da tarde, “após a confirmação de que o Caged traria fortes números de criação de empregos em fevereiro. Apesar da forte geração de empregos formais, o que reforça a percepção de atividade econômica resiliente e poderia induzir o BC a estender o ciclo de alta dos juros, houve uma antecipação após a informação de que os números viriam acima de 400 mil”.
Nicolas Farto, sócio e head de renda variável da Vértiq Invest, afirma que “o PCE é um trigger mais negativo para o dia, mas é bom lembrar que o Ibovespa vem de uma tendência de alta forte e está acumulando uma alta bem forte no mês, então a gente teria algum movimento de realização mais cedo ou mais tarde. O PCE foi responsável por disparar essa movimentação de realização, mas ainda está muito longe de dizer que a gente vai reverter tendência, parece que o Ibovespa segue sendo um uma locação bem-vista ainda para os estrangeiros. O fluxo segue bem positivo aqui. Tivemos alguns dados locais. O desemprego veio com uma taxa mais acomodada, depois de ter visto um mercado de trabalho mais aquecido, mas, apesar dessa acomodação, os pagamentos ainda são altos. Um número que pode pressionar a inflação. O mercado segue olhando para mais um ajuste da Selic, mas acreditamos em mais duas altas. Temos as questões das eleições, ainda é muito cedo, mas de alguma forma pode ser antecipada por mercados porque tema as pesquisas de opinião com queda da popularidade do Lula”.
Por aqui, saíram os dados do mercado de trabalho. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil criou 431.995 empregos formais em fevereiro. Esse resultado decorreu de 2.579.192 admissões e de 2.147.197 desligamentos.
Em relação à Pnad Contínua, a taxa de desemprego de fevereiro ficou em 6,8% até fevereiro, abaixo do esperado de 6,9% conforme Termômetro Safras. Mas, o rendimento atingiu o recorde da série (R$ 3.378), da mesma forma que os trabalhadores com carteira assinada-39,6 milhões.
Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE subiu 0,3% em fevereiro em termos mensais, e ficou dentro do esperado. Já o núcleo veio acima das estimativas, teve alta de 0,4% e o previsto era 0,3%.
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,05%, cotado a R$ 5,7609. Mantendo a tendência dos últimos dias, a moeda norte-americana refletiu o movimento de aversão global ao risco, com as incertezas que envolvem os próximos passos da política tarifária estadunidense. Na semana, a divisa teve valorização de 0,79%.
Segundo o analista da Potenza Capital Bruno Komura, embora hoje exista aversão ao risco, o real demonstra certa estabilidade na comparação com outras moedas.
Komura também observa que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro, que mostrou a criação de 432 mil empregos formais (o mercado estimava cerca de 215 mil) mostrou que a economia ainda segue muito aquecida.
Para o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, no cenário atual, o patamar justo do dólar está na faixa entre R$ 5,60 e R$ 5,70.
As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam mistas. A sessão foi marcada pela divulgação de indicadores de emprego.
Por volta das 16h43 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2026 tinha taxa de 15,100% de 15,100% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2027 projetava taxa de 15,030%, de 15,000%, o DI para janeiro de 2028 ia a 14,820%, de 14,795%, e o DI para janeiro de 2029 com taxa de 14,775% de 14,780% na mesma comparação.
No exterior, os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em forte queda, pressionadas pela crescente incerteza em relação à política comercial dos Estados Unidos, além de uma perspectiva mais sombria sobre a inflação.
Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:
Dow Jones: -1,69%, 41.583,90 pontos
Nasdaq 100: -2,70%, 17.323,0 pontos
S&P 500: -1,97%, 5.580,94 pontos
Paulo Holland e Darlan de Azevedo / Safras News