Porto Alegre, 23 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de frango registrou preços mais altos no atacado e no vivo no decorrer da semana. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, as cotações permanecem sustentadas no Centro-Sul, enquanto o Nordeste continua exigindo maior atenção diante do desequilíbrio mais acentuado entre oferta e demanda.
O setor acompanha os desdobramentos do foco de doença de Newcastle em Santa Catarina, mas as informações disponíveis até o momento indicam um impacto comercial mais localizado. Os principais mercados que adotaram restrições, incluindo a China, optaram pela regionalização do embargo, excluindo temporariamente apenas os produtos avícolas originados em Santa Catarina e preservando as exportações dos demais estados.
A regionalização reduz significativamente o risco de um comprometimento amplo dos embarques brasileiros, embora Santa Catarina possa enfrentar dificuldades pontuais de escoamento. O estado possui participação relevante na produção e nas exportações nacionais, o que mantém o mercado em alerta para a possibilidade de redirecionamento de parte do produto ao mercado doméstico.
A rápida atuação das autoridades sanitárias brasileiras tende a contribuir para a contenção do foco e para a retomada das habilitações catarinenses. Mesmo assim, a manutenção dos alojamentos de pintainhos em níveis contidos permanece fundamental. Uma expansão prematura da produção poderia ampliar a oferta justamente em um momento de maior incerteza para os embarques originados em Santa Catarina.
No mercado atacadista, Maia destaca altas na semana, com oferta equilibrada. A regionalização dos embargos reduz a possibilidade de uma interrupção mais ampla das exportações brasileiras, preservando o escoamento da produção dos demais estados. Ainda assim, o mercado acompanha o possível redirecionamento de volumes catarinenses ao consumo doméstico, movimento que poderia ampliar a disponibilidade de carne de frango e limitar novos reajustes no curto prazo.
“A segunda quinzena também é marcada por menor apelo ao consumo. Por outro lado, a ampla vantagem de preço em relação à carne bovina mantém o frango altamente competitivo e oferece sustentação às vendas”, disse.
Preços internos
Segundo levantamento de Safras & Mercado, no atacado de São Paulo os preços dos cortes congelados de frango tiveram alta ao longo da semana. O preço do quilo do peito passou de R$ 9,50 para R$ 9,95, o quilo da coxa permaneceu em R$ 7,80 e o quilo da asa subiu de R$ 12,50 para R$ 13,00. Na distribuição, o preço do quilo do peito avançou de R$ 9,75 para R$ 10,05, o quilo da coxa teve estabilidade em R$ 8,00 e o quilo da asa passou de R$ 13,00 para R$ 13,50.
Nos cortes resfriados vendidos no atacado, o cenário da semana também foi de alta nas cotações. No atacado, o preço do quilo do peito subiu de R$ 9,60 para R$ 10,05, o quilo da coxa seguiu em R$ 7,90 e o quilo da asa passou de R$ 12,60 para R$ 13,10. Na distribuição, o preço do peito avançou de R$ 9,85 para R$ 10,15, o quilo da coxa continuou em R$ 8,10 e o quilo da asa subiu de R$ 13,10 para R$ 13,60.
O levantamento semanal realizado por Safras & Mercado nas principais praças de comercialização do Brasil apontou que o quilo vivo em São Paulo subiu de R$ 5,70 para R$ 5,80.
Na integração do Rio Grande do Sul, a cotação permaneceu em R$ 4,75. Na integração catarinense a cotação do frango continuou em R$ 4,75, enquanto na integração do oeste do Paraná, em R$ 4,65.
No Mato Grosso do Sul, o preço do quilo vivo do frango passou de R$ 5,40 para R$ 5,45 e em Goiás também de R$ 5,40 para R$ 5,45. Em Minas Gerais, o quilo vivo subiu de R$ 5,45 para R$ 5,50, enquanto no Distrito Federal também avançou de R$ 5,45 para R$ 5,50.
No Ceará, o quilo vivo continuou em R$ 5,00, no Pernambuco em R$ 5,25 e, no Pará, em R$ 6,50.
Exportações
As exportações de carne de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas do Brasil renderam US$ 561,728 milhões em outubro (11 dias úteis), com média diária de US$ 51,066 milhões. A quantidade total exportada pelo país chega a 292,969 mil toneladas, com média diária de 26,633 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.917,4.
Em relação a outubro de 2025, há um avanço de 41,5% no valor médio diário, alta de 23,6% na quantidade média diária e alta de 14,5% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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