Porto Alegre, 6 de outubro de 2026 – O mercado abre esta terça-feira digerindo a euforia de ontem após o resultado do primeiro turno das eleições, que trouxe a vitória de Flávio Bolsonaro. Uma acomodação não está descartada, mas o rali pode continuar.
Na segunda-feira, o Ibovespa rompeu os 200 mil pontos, com um dos giros mais inflados de todos os tempos, com quase R$ 80 bilhões. O dólar teve a maior queda diária em oito anos e traders passaram a precificar um ciclo de calibração maior da Selic.
A curva projetou cortes nas próximas duas reuniões do Copom, com a taxa básica terminando o ano perto de 12%. “Eu seria mais cauteloso em reduzir a Selic projetada depois da eleição porque o Brasil não define sozinho o seu custo de capital”, disse Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
Para ele, se os juros americanos permanecerem altos, o Banco Central brasileiro terá menos liberdade para cortar agressivamente sem alterar o diferencial de juros e pressionar o câmbio. “Por isso, mesmo com uma melhora política doméstica, eu trabalharia hoje com Selic entre 11,75% e 12% no final de 2027. O dólar será o termômetro mais rápido dessa interação”, acredita Murad.
O Focus projetava o dólar em R$ 5,28 para 2027. “Se houver melhora fiscal no Brasil e estabilidade dos juros americanos, vejo espaço para uma faixa próxima de R$ 5,00 a R$ 5,15”, pondera o consultor. “Mas, se os Treasuries voltarem a subir, parte da valorização do real pode desaparecer mesmo com notícias positivas em Brasília. Esse é o ponto que diferencia risco político de risco global”, afirma.
Em relação aos índices econômicos, a agenda está bastante esvaziada. Destaque para a balança comercial de bens e serviços de agosto dos Estados Unidos.
Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
Copyright 2026

