Os contratos futuros da soja fecharam em forte alta nesta quinta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), estendendo os ganhos deflagrados na quarta. O mercado ainda refletiu as falas do presidente americano, Donald Trump, sobre um possível acordo para elevar as compras chinesas do grão americano.
Caso a China efetivamente realize compras adicionais de 8 milhões de toneladas de soja no curto prazo, isso tende a pressionar de forma relevante os estoques norte-americanos da safra 2025/26, que atualmente são bastante confortáveis, próximos a níveis recordes, estimados em cerca de 9,5%. A análise é do analista Rafael Silveira, da equipe de Inteligência de Mercado de Safras & Mercado.
O analista lembra que o preço da soja norte-americana segue significativamente mais elevado do que o da soja brasileira, especialmente neste momento de avanço da colheita no Brasil, o que levanta dúvidas quanto à viabilidade econômica dessas supostas aquisições adicionais por parte da China.
“Se esse movimento de compras de soja norte-americana de fato se confirmar, a exportação brasileira tende a ser impactada principalmente via prêmios nos portos, enquanto a CBOT ganharia fôlego”, projeta. “No entanto, dadas as margens atuais de esmagamento na China e a clara diferença entre o flat price brasileiro e o flat price norte-americano, não há racional econômico para que a China concentre compras nesse volume de soja dos EUA, a menos que haja algum tipo de apoio governamental, como subsídios ou incentivos indiretos”, completa.
A quarta-feira foi marcada por intensa movimentação na Bolsa de Mercadorias de Chicago, após declarações do presidente americano Donald Trump sobre as conversas que manteve com o presidente chinês, Xi Jinping. No caso da soja, Trump trouxe a expectativa de um aumento da demanda de curto prazo pela soja norte-americana.
Segundo ele, a China poderia adquirir até 20 milhões de toneladas da safra atual. Até o momento, havia o cumprimento de aproximadamente 12 milhões de toneladas, conforme acordado no ano passado. Assim, o mercado passou a trabalhar com a possibilidade de um incremento adicional de cerca de 8 milhões de toneladas de demanda chinesa.
Além disso, Trump mencionou a expectativa de compras em torno de 25 milhões de toneladas para a safra nova, que começa a entrar no mercado a partir de setembro/outubro deste ano.
Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 20,00 centavos de dólar, ou 1,83%, a US$ 11,12 1/4 por bushel. A posição maio teve cotação de US$ 11,26 por bushel, com elevação de 21,25 centavos de dólar ou 1,92%.
Nos subprodutos, a posição março do farelo fechou com alta de US$ 7,00 ou 2,36% a US$ 303,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em março fecharam a 55,65 centavos de dólar, com perda de 0,01 centavo ou 0,01%.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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