De acordo com o relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado mais cedo, por conta do conflito no Oriente Médio e a interrupção no Estreito de Ormuz, a oferta global de petróleo deve cair em 8 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) em março. Essa perda é limitada pelo aumento da produção por parte de países que não fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), com Cazaquistão e Rússia. Ainda assim, a AIE prevê que a oferta de petróleo será 1,1 milhão de bpd superior em 2026.
A agência também estimou uma alta na demanda por petróleo em 640 mil bpd em 2026, uma queda de 210 mil bpd em relação à previsão do mês anterior. A AIE citou o acordo entre os membros da agência de disponibilizar 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, como forma de conter a escalada nos preços. Isso é uma fração dos estoques globais da commodity. Em janeiro, havia 8,21 bilhões de barris, sendo que 50% deles pertenciam aos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A China detinha 15%, e havia 25% de barris em trânsito no oceano.
A liberação destes estoques, segundo a AIE, ajuda a amortecer o impacto, mas é uma medida temporária. “O impacto final do conflito nos mercados de petróleo e gás e na economia em geral dependerá não apenas da intensidade dos ataques militares e de eventuais danos aos ativos energéticos, mas também, crucialmente, da duração das interrupções no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz. Mecanismos adequados de seguro e proteção física para o transporte marítimo são essenciais para a retomada dos fluxos, o que é de importância fundamental para o mercado de petróleo”.
Os países do Oriente Médio produtores de petróleo vem reduzindo ou interrompendo a extração da commodity, por falta de espaço de armazenamento. Grandes reduções de oferta são observadas no Iraque, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
“As interrupções não se limitam à produção e exportações upstream, com várias refinarias e instalações de processamento de gás fechadas devido a ataques ou por preocupações de segurança. O fechamento do Estreito de Ormuz também está forçando refinarias orientadas à exportação a reduzir atividade ou fechar completamente à medida que os tanques de armazenamento de produtos se enchem, com mais de 4 milhões de bpd de capacidade de refino em risco”, diz um trecho do documento.
Há também o impacto na produção de GLP e nafta, além do querosene de aviação. “A forte queda no fornecimento de GLP e nafta já está forçando plantas petroquímicas a reduzir a produção de polímeros, agravando a perda dos fluxos petroquímicos do Golfo. O uso de GLP para cozinhar e aquecimento, especialmente na India e na África Oriental, também está em risco”.

