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Preços do milho cedem no Brasil em outubro; demanda segue enfraquecida

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Porto Alegre, 30 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de milho se aproxima do final de outubro com um cenário de pressão nas cotações. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os consumidores atuaram de forma bastante comedida nas negociações ao longo do mês, diante do bom nível de abastecimento e da expectativa de continuidade do movimento baixista à frente.

Do lado da oferta, os produtores avançaram na fixação de volumes durante grande parte do mês. Contudo, após as eleições, o mercado passou a adotar uma postura mais cautelosa, especialmente diante da forte volatilidade cambial. O dólar chegou a operar próximo de R$ 5,60 no início da semana, mas posteriormente recuou para a faixa de R$ 5,35, reduzindo parte do suporte que vinha sendo observado nas referências de exportação. Já nesta sexta-feira (30), o dólar voltou a subir e girava pela manhã ao redor de R$ 5,43, o que gera uma expectativa nos produtores de que a cotação do cereal pode reverter o movimento de baixa, voltando a se valorizar.

A paridade de exportação acompanhou esse movimento. Embora os preços nos portos tenham registrado alguma melhora com a valorização do câmbio, os níveis ainda são considerados insuficientes para estimular uma retomada mais consistente dos negócios. Além disso, a programação de embarques segue inferior à observada no mesmo período da temporada passada, fator que também limita o potencial de sustentação do mercado.

O line-up, a programação de embarques nos portos brasileiros, indicou que poderão ser exportadas 6,016 milhões toneladas de milho em outubro, conforme levantamento de Safras & Mercado. Para novembro estão projetados embarques de 3,997 milhões de toneladas. Para dezembro, estão previstas exportações de 68 mil toneladas. Entre fevereiro/26 e janeiro/27, o line-up sinaliza embarques acumulados de 26,401 milhões de toneladas do cereal.

No cenário internacional, a Bolsa de Chicago se mostrou pressionada pela perspectiva de ampla disponibilidade de milho. Os últimos relatórios reforçaram o aumento da produção e dos estoques nos EUA. A percepção de conforto do lado da oferta acabou restringindo movimentos de recuperação mais expressivos nas cotações do milho.

Para as próximas semanas, a atenção estará voltada principalmente para o comportamento do câmbio e para a evolução das condições climáticas. O mercado deverá acompanhar de perto em qual patamar o dólar encontrará equilíbrio e qual será o impacto desse movimento sobre a competitividade das exportações brasileiras. O clima também seguirá no radar, à medida que pode influenciar as expectativas para a produção da safra de verão e depois para a safrinha 27.

De forma geral, neste momento, os fundamentos do mercado continuam apontando para um ambiente de preços pressionados, sem sinais claros de uma recuperação consistente no curto prazo.

Preços do milho

O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 62,11 no dia 29 de outubro, baixa de 6,72% frente aos R$ 66,58 registrados no final de setembro. No mercado disponível ao produtor, o preço do milho em Cascavel, Paraná, foi cotado a R$ 61,00, queda de 5,43% frente aos R$ 64,50 praticados no fechamento do mês anterior.

Em Campinas/CIF, a cotação ficou em R$ 67,00, com retração de 5,63% frente aos R$ 71,00 praticados no mês anterior. Na região da Mogiana paulista, a saca do cereal baixou 6,06% e foi cotada a R$ 62,00, contra os R$ 66,00 do final do mês anterior.

Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca foi cotada a R$ 55,00, 17,91% aquém dos R$ 67,00 praticados no final do mês passado. Em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço baixou 2,78%, passando de R$ 72,00 para R$ 70,00.

Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda ficou em R$ 63,00, retração de 3,08% ante os R$ 65,00 praticados no encerramento do mês passado. Já em Rio Verde, Goiás, a saca foi cotada em R$ 60,00, queda de 4,76% frente aos R$ 63,00 praticados no final de setembro.

Exportações

As exportações de milho do Brasil apresentaram receita de US$ 988,265 milhões em outubro até o momento (16 dias úteis), com média diária de US$ 62,072 milhões. A quantidade total de milho exportada pelo país ficou em 4,154 milhões de toneladas, com média de 259,648 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 237,90.

Em relação a outubro de 2025, houve alta de 0,9% no valor médio diário da exportação, perda de 12,1% na quantidade média diária exportada e valorização de 14,8% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)

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