Porto Alegre, 16 de outubro de 2026 – Em um dia de maior tranquilidade no cenário externo, o foco do mercado segue voltado ao cenário doméstico, com a proximidade do pleito eleitoral e a avaliação sobre o índice IBC-BR. Lá fora o mercado avalia a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor da Zona do Euro.
De acordo com boletim matinal da Ajax Asset, “lá fora, ativos se recuperam, após cautela com a capacidade de monetizar os elevados investimentos em infraestrutura, mesmo diante de uma demanda crescente por IA. Em dia de taxas das treasuries mais estáveis, o dólar recua, trazendo alívio aos ativos de risco. Por aqui, ambiente político mais incerto já tem provocado alguma realização de lucros nos ativos locais, e tem sido agravado pelo anúncio de novas medidas de estímulo fiscal pelo governo Lula, com características eleitorais e populistas. Além de deixarem o cenário fiscal ainda mais desafiador para o próximo governo, essas iniciativas podem contribuir para ampliar o apoio ao atual presidente nesta última semana. Flávio Bolsonaro ainda é o favorito, mas a disputa tende a ser apertada”.
Em entrevista à Globo na noite de ontem, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser confrontado com o fato de que as políticas do governo levaram a um aumento da relação entre dívida pública e PIB, o presidente disse estar preocupado. Hoje o entrevistado da Rede Globo será o candidato Flavio Bolsonaro.
Lula descartou cortes de gastos para enfrentar os desafios fiscais domésticos. Defendeu que o crescimento econômico, e não a redução de despesas, é a principal ferramenta para melhorar a trajetória da dívida pública.
Quando questionado se concordava com a posição de Galípolo de que o modelo de crescimento baseado no estímulo ao consumo está esgotado, afirmou que discorda. O jeito de resolver o fiscal é fazer a economia crescer.
O presidente Lula disse ainda que o perdão das dívidas dos MEIs, aprovado nesta quinta-feira por unanimidade no Senado, foi um jeito que encontramos para reativar a economia brasileira.
Ainda em âmbito doméstico, o Indice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central subiu 0,30% em agosto em relação a julho, indo a 109,9 pontos. O mercado apostava em queda de 0,10%. Nos dados sem ajuste sazonal, o IBC-Br atingiu 111,7 pontos, ganho de 1,21% na comparação com o mesmo mês de 2025.
O indicador subiu 1,63% no trimestre na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve um recuo de 1,21%. Em 12 meses, a elevação foi de 1,61%. No ano, o índice acumula alta de 1,55%.
O indicador calculado pelo BC tem o objetivo de antecipar avaliações sobre o Produto Interno Bruto (PIB).
O índice harmonizado de preços ao consumidor dos países que compõem a zona do euro subiu 3,8% em setembro na comparação com o mesmo período de 2025, após a alta de 3,2% em agosto, segundo dados revisados divulgados pela agência de estatísticas Eurostat. O índice ficou dentro do previsto pelo mercado, que previa alta de 3,8%. Em base mensal, os preços ao consumidor subiram 0,6% em setembro de 2026. O índice veio dentro do previsto pelo mercado.
Já nos 27 países que fazem parte da União Europeia (UE), o índice de preços ao consumidor subiu 3,8% em setembro em base anual e ficou acima dos 3,2% registrados em agosto.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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