Porto Alegre, 14 de outubro de 2026 – O plantio da safra de soja 2026/27 alcança 90,62% da área prevista no Oeste do Paraná, mas o excesso de chuvas já preocupa pelo risco de comprometimento do desenvolvimento das lavouras. Em algumas localidades, as precipitações chegaram a 315 milímetros em quatro dias, provocando encharcamento do solo e aumentando os riscos de perdas de nutrientes e problemas no sistema radicular, conforme avalia o economista Ernani José Benincá, da Benincá Agro – Consultoria e Corretagem Ltda., em levantamento exclusivo à Agência Safras.
Segundo Benincá, a elevada umidade limitou o avanço da semeadura, que evoluiu apenas 1,57 ponto percentual desde 1º de outubro, quando 89,05% da área estava plantada. Na região de Toledo, os trabalhos alcançam 98,46%, enquanto Cascavel registra 83,08%. Nos municípios da região beira-lago, o percentual chega a 99%.
“A preocupação neste momento é realmente com o excesso de chuvas. Nos últimos quatro dias, tivemos locais com até 315 milímetros e, neste momento, chove torrencialmente em todo o Oeste do Paraná. As lavouras estão, no máximo, no estádio V4, uma fase bastante sensível ao encharcamento”, alerta.
O monitoramento pluviométrico aponta acumulado médio regional de 255,9 milímetros em outubro, diante de uma média histórica mensal de 274,8 milímetros. Os maiores volumes foram registrados em Santa Terezinha de Itaipu, com 397 milímetros, São Miguel do Iguaçu, com 380 milímetros, e Guaraniaçu, com 334 milímetros. Em Palotina, o acumulado chega a 287 milímetros.
“Não será nada impossível bater o recorde de precipitação para outubro. Em Palotina, por exemplo, tivemos 581 milímetros em 2021. É um dado bastante consistente, porque temos registros desde 1970”, destaca Benincá.
O economista explica que o excesso de umidade compromete a oxigenação das raízes e favorece a lixiviação de nutrientes, especialmente nitrogênio e potássio. Nas áreas em emergência, há risco de apodrecimento das sementes e tombamento de plântulas, enquanto lavouras entre V3 e V4 podem apresentar redução da fixação biológica de nitrogênio, amarelecimento e crescimento prejudicado.
Outro problema é a erosão laminar, já observada em registros da região de Ouro Verde do Oeste. “Com o solo completamente encharcado, qualquer precipitação mais volumosa neste momento já provoca estragos importantes”, observa.
A sequência de dias chuvosos e com céu encoberto também reduz a disponibilidade de radiação solar, prejudicando a fotossíntese e podendo alterar o ritmo de desenvolvimento das plantas. Segundo Benincá, as previsões indicam continuidade das chuvas até sexta-feira (16), mantendo a preocupação com novos danos às lavouras.
A área destinada à soja no Oeste do Paraná é estimada em 1,035 milhão de hectares, com produção projetada em 4,114 milhões de toneladas e produtividade média de 3.976 quilos por hectare. Apesar das estimativas, o especialista ressalta que o comportamento climático nas próximas semanas será determinante para avaliar os possíveis impactos sobre o potencial produtivo da safra.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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