Porto Alegre, 6 de outubro de 2026 – O excesso de oferta foi o principal fator de desequilíbrio no mercado brasileiro de carne de frango em 2026, segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, durante painel sobre o mercado de carnes na 12º Safras Agri Week. Apesar do forte desempenho das exportações, o aumento dos alojamentos de pintinhos pressionou os preços em diferentes regiões do país.
Segundo Iglesias, o Brasil deve exportar cerca de 5,7 milhões de toneladas de carne de frango em 2026, o que representará mais de 40% do comércio mundial da proteína. Mesmo com o desempenho positivo no mercado externo, a oferta elevada gerou distorções no mercado doméstico.
Um dos exemplos citados pelo analista é a diferença regional de preços. Neste ano, os preços praticados no Nordeste chegaram a ficar abaixo dos registrados no Sul e no Sudeste, invertendo o comportamento historicamente observado no mercado brasileiro.
Para o restante de 2026, Iglesias considera fundamental manter o alojamento de pintinhos de corte sob controle, de forma a evitar um novo descompasso entre oferta e demanda. Segundo ele, a avicultura tem como vantagem, em relação à suinocultura, um ciclo produtivo mais curto, o que permite ao setor ajustar a produção com maior rapidez diante das condições de mercado. “Você precisa trabalhar com níveis de alojamento que sejam compatíveis com a realidade”, afirmou.
O analista também destacou que o custo de produção da avicultura está diretamente ligado ao mercado de grãos, já que a alimentação representa a principal parcela dos custos. Dessa forma, os preços do milho e do farelo de soja serão determinantes para as margens do setor nos próximos meses.
Para o último trimestre, a perspectiva é de melhora da demanda doméstica por proteínas. Além do aumento sazonal do consumo no período de fim de ano, Iglesias citou fatores como o pagamento do 13º salário, a contratação de trabalhadores temporários e uma maior disponibilidade de recursos na economia como elementos que podem favorecer o consumo.
A competitividade do frango também deve continuar elevada diante dos preços da carne bovina. Com a proteína bovina em níveis elevados, frango, ovos, embutidos e carne suína tendem a ganhar espaço entre os consumidores que buscam alternativas mais acessíveis.
Para 2027, Iglesias espera manutenção de um bom desempenho das exportações brasileiras de carne de frango, mas considera que o principal desafio será o ritmo de alojamento. O setor deverá ajustar a produção à realidade da demanda doméstica e externa, evitando novos períodos de excesso de oferta.
“Manter um nível de alojamento que seja compatível com a realidade da exportação e da demanda doméstica será fundamental para preservar as margens”, avaliou o analista, especialmente em um cenário em que os custos de milho e farelo de soja podem representar um fator adicional de pressão.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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