Porto Alegre, 5 de outubro de 2026 – A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta segunda-feira (5) em alta. O mercado foi sustentado pela falta de avanços na retomada do fluxo de grãos pelo Mar Negro e pela demanda da Arábia Saudita, que adquiriu um volume de trigo superior ao inicialmente buscado em licitação internacional.
A agência estatal de compras da Arábia Saudita informou nesta segunda-feira a aquisição de cerca de 683 mil toneladas de trigo, acima das 535 mil toneladas inicialmente buscadas na licitação.
As preocupações com os embarques pelo Mar Negro também deram suporte às cotações. A consultoria russa SovEcon reduziu sua estimativa para as exportações de grãos da Rússia na temporada 2026/27 para 44,7 milhões de toneladas, ante 49,4 milhões de toneladas anteriormente, e alertou que os portos do Mar de Azov e do Mar Negro permanecerão fechados até 2027.
Além disso, um navio civil de propriedade turca que transportava grãos pelo Mar Negro foi atingido por dois drones russos em águas internacionais, segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Com grande parte dos portos do sul da Rússia fechada, a maior parte dos embarques está sendo direcionada para terminais no Mar Báltico. As operações nos portos da região dos mares de Azov e Negro estão paralisadas desde meados de agosto devido a ataques contra embarcações e danos a terminais.
A IKAR estima que a Rússia poderá exportar até 2,5 milhões de toneladas de trigo em outubro. Entre julho e setembro, as exportações russas podem ter somado 6,8 milhões de toneladas, contra 11,3 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.
As inspeções de exportação norte-americanas de trigo chegaram a 302.356 toneladas na semana encerrada em 1º de outubro, conforme relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na semana anterior, as inspeções haviam atingido 337.047 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado foi de 592.223 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1º de junho de 2026, as inspeções somam 6.671.688 toneladas, contra 10.264.408 toneladas no acumulado do ano-safra anterior.
Os contratos com entrega em dezembro fecharam cotados a US$ 6,92 1/4 por bushel, com alta de 9,25 centavos de dólar, ou 1,35%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em março encerraram a US$ 7,06 1/4 por bushel, com avanço de 9,50 centavos de dólar, ou 1,36%.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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