Porto Alegre, 2 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de boi gordo apresentou trajetória de alta durante o mês de setembro, com reajustes disseminados pelas principais regiões produtoras. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, mesmo com exportações deprimidas, a restrição da oferta de animais exerceu maior influência sobre a formação dos preços.
Embora o menor ritmo dos embarques tenha reduzido o suporte externo, este não foi suficiente para compensar a menor disponibilidade de boiadas. “As escalas de abate permaneceram concentradas entre seis e sete dias úteis, mantendo os frigoríficos ativos nas compras”, disse.
Segundo Iglesias, a inversão do ciclo pecuário começou a limitar a oferta, após um período prolongado de elevado descarte de fêmeas. A recuperação da rentabilidade da cria também estimulou a retenção de matrizes e reduziu a disponibilidade imediata de animais.
O analista explica que os frigoríficos de pequeno e médio porte enfrentaram maior dificuldade para completar suas programações e elevaram as indicações. As grandes indústrias trabalharam com maior conforto, utilizando animais de parceria e confinamentos próprios.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 30 de setembro:
* São Paulo (Capital) – R$ 365,00 a arroba, avanço de 5,80% frente aos R$ 345,00 praticados no final de agosto.
* Goiás (Goiânia) – R$ 350,00 a arroba, aumento de 4,48% frente aos R$ 335,00 registrados no encerramento do mês retrasado.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 350,00 a arroba, alta de 4,48% frente aos R$ 335,00 registrados no encerramento de agosto.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 355,00 a arroba, aumento de 2,90% frente aos R$ 345,00 registrados no encerramento do mês retrasado.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 345,00 a arroba, valorização de 4,55% ante os R$ 330,00 praticados no final de agosto.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 345,00 a arroba, alta de 3,60% em relação aos R$ 3335,00 registrados no final do mês retrasado.
Atacado
Conforme Iglesias, no mercado interno, a valorização da carne bovina no atacado ofereceu suporte adicional à alta da arroba ao longo de setembro. “Assim, a restrição da oferta prevaleceu sobre a fragilidade das exportações e consolidou o movimento de valorização em setembro”, explica.
O quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 28,00 por quilo, aumento de 7,69% ante os R$ 26,00 registrados no fim de agosto. Já o corte do quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 21,50 por quilo, avanço de 7,50% ante os R$ 20,00 praticados no fechamento do mês retrasado.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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