Porto Alegre, 2 de outubro de 2026 – O mês de setembro apresentou queda nos preços da suinocultura brasileira. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Allan Maia, houve dois cenários bastante distintos ao longo do período. Na primeira quinzena, os preços permaneceram praticamente estáveis, sem força para movimentos mais expressivos de alta. O período foi marcado por uma oferta ainda considerada desajustada de animais e de carne, fator que limitou a evolução das cotações e manteve o mercado operando de forma arrastada.
Já na segunda metade do mês, o cenário mudou de maneira significativa. Maia diz que os preços passaram a registrar altas consistentes e mais intensas, impulsionados por um quadro de oferta mais ajustado. “A indústria adotou uma postura um pouco mais ativa nas compras do vivo. Ao mesmo tempo, houve melhora na demanda e no escoamento da carne no mercado interno, levando a um quadro mais ajustado e favorecendo um avanço mais contundente das cotações”, afirma.
A expectativa para a primeira quinzena de outubro segue positiva. O mercado aposta em uma demanda mais aquecida em função da entrada dos salários na economia, aumentando o poder de compra das famílias. Além disso, a carne suína continua bastante competitiva, especialmente em relação à carne bovina, mesmo após as recentes valorizações observadas.
“Vale destacar que, ao longo de grande parte de 2026, os preços da suinocultura acumularam movimentos predominantemente de queda. Somente nas últimas semanas o mercado passou a apresentar uma recuperação mais consistente. Diante disso, os suinocultores demonstram maior otimismo com a dinâmica observada na segunda quinzena de setembro”, destacou o analista.
Ainda assim, Maia ressalta que o sentimento é acompanhado por cautela, já que muitos produtores acumulam prejuízos registrados nos últimos meses e aguardam a consolidação desse movimento de recuperação.
O especialista reforça que o forte ritmo das exportações também contribui para o ajuste da oferta interna, reduzindo a disponibilidade de produto no mercado doméstico e oferecendo sustentação adicional aos preços. “Como ponto de atenção, permanece a questão do preço médio da tonelada exportada, que recuou ao longo das últimas semanas e, mais recentemente, passou a operar de forma lateralizada”, conclui.
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que o mercado de suíno vivo no Brasil registrou avanço nos preços mensais nas principais praças do país. A média de preços do Centro-Sul subiu 12,28%, passando de R$ 4,77 para R$ 5,36 por quilo.
A carcaça teve valorização de 18,67%, passando de R$ 7,50 para R$ 8,90. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado avançou 8,36%, passando de R$ 9,49 para R$ 10,28.
A análise mensal de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo teve alta de R$ 95,00 para R$ 114,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo continuou em R$ 4,80 e no interior do estado foi de R$ 4,65 para R$ 5,40.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração permaneceu em R$ 4,65 e no interior catarinense avançou de R$ 4,60 para R$ 5,35. No Paraná, o preço do quilo vivo registrou alta de R$ 4,60 para R$ 5,40 no mercado livre e, na integração, continuou em R$ 5,05.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande teve valorização de R$ 4,70 para R$ 5,30 e, na integração, seguiu em R$ 4,65. Em Goiânia, os preços avançaram de R$ 4,90 para R$ 5,80. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram alta de R$ 5,00 para R$ 6,20 e, no mercado independente, de R$ 5,20 para R$ 6,40. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis subiu de R$ 5,00 para R$ 5,45 e, na integração do estado, permaneceu em R$ 4,65.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 242,953 milhões em setembro (18 dias úteis), com média diária de US$ 13,497 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 106,715 mil toneladas, com média diária de 5,928 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.276,6 por tonelada.
Em relação a setembro de 2025, houve recuo de 14,2% no valor médio diário, baixa de 2,7% na quantidade média diária e queda de 11,8% no preço médio.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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