Porto Alegre, 25 de setembro de 2026 – O mercado internacional do café teve mais uma semana com a pressão das indicações de um cenário mais tranquilo na oferta global. Dados fortes para as exportações do Brasil e do Vietnã, os dois maiores produtores mundiais, que se refletem em embarques globais sólidos, e boas condições climáticas para essas duas nações foram fatores baixistas ao longo da semana nas bolsas de Nova York para o arábica e de Londres para o robusta.
O Brasil iniciou a temporada 2026/27 (julho/junho) com aumento nas exportações, que deve ser mantido nos próximos meses com a finalização da colheita de uma safra provavelmente recorde. O Vietnã no robusta também vem com números sólidos de embarques e a safra deste país entra agora ao final do ano, o que deve promover bom fluxo de suas vendas externas. Tudo isso tranquiliza o mercado quanto ao abastecimento e pesa sobre os preços.
As condições climáticas também estão favoráveis no Brasil e no Vietnã para as safras futuras. No Brasil, setembro teve chuvas no cinturão cafeeiro para a abertura de floradas e para o pegamento das floradas também. Isso abre boas perspectivas para a safra de 2027 e é um aspecto baixista importante. Claro que há preocupações com o fenômeno El Niño de forte intensidade, que pode trazer um quadro diferente e pior adiante.
Voltando à safra 2026 colhida no Brasil, a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), em sua terceira estimativa, divulgada nesta quinta-feira, apontou uma produção recorde no país, trazendo natural pressão sobre os preços. Com 99% da área colhida, a produção brasileira de café para 2026, ano de bienalidade positiva, está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, uma alta de 19,6% em comparação à safra de 2025. O resultado é influenciado tanto pelo aumento da área em produção e pela melhora na produtividade média nacional e se configura como o maior da série histórica da Conab).
Para o arábica, espécie que representa cerca de 70% da produção total de café, a estimativa aponta para uma colheita neste ano de 48,2 milhões de sacas, elevação de 34,8% em comparação ao volume obtido em 2025.
No caso do conilon/robusta, a produção estimada para 2026 é de 19,4 milhões de sacas, redução de 6,6% se comparado com o ano passado. Com aumento de 4% na área em produção da variedade, estimada em 386,6 mil hectares, a queda é influenciada pela menor produtividade nacional, impactada principalmente pelo menor desempenho registrado no Espírito Santo.
Apesar desses fatores negativos para os preços, a semana mostrou em pregões a tentativa de correções técnicas a sinais de um mercado sobrevendido. Naturalmente, com NY trabalhando próxima dos níveis mais baixos em 3 meses, há movimentos de ajustes técnicos, com cobertura de posições vendidas. Isso atenuou o recente cenário baixista nas bolsas.
Ainda assim, no balanço semanal, na Bolsa de NY, o contrato dezembro acumulou baixa de 0,4% nos últimos sete dias, entre as quintas-feiras 17 e 24 de setembro, caindo de 276,50 para 275,35 centavos de dólar por libra-peso. No mesmo comparativo, Londres teve perda no robusta de 3% no contrato novembro.
No mercado brasileiro, a semana foi novamente de postura cautelosa de compradores e vendedores. Os produtores dosam a oferta acompanhando os movimentos nas bolsas, enquanto os compradores aguardam, naturalmente, por novas quedas. O dólar em alta na semana foi aspecto de sustentação às cotações no país. No comercial, a moeda americana acumulou alta de 1,1% entre as quintas-feiras 17 e 24 de setembro.
No balanço semanal, entre as quintas-feiras 17 e 24, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, safra nova, caiu de R$ 1.580,00 para R$ 1.570,00 a saca na base de compra, desvalorização de 0,6%. No balanço do conilon, o tipo 7, base compra em Vitória/Espírito Santo, recuou de R$ 960,00 para R$ 950,00 a saca, queda de 1%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Agência Safras)
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