São Paulo, 2 de setembro de 2026 – O clima de maior aversão ao risco segue dando as cartas no mercado financeiro global, devido aos temores inflacionários e a possibilidade crescente de alta nas taxas de juros. No doméstico, além do impacto externo, cresce o trade eleitoral, após as recentes revelações sobre o Caso Master.
Na agenda de indicadores externos, atenção para o relatório ADP nos Estados Unidos, dando prosseguimento à série de dados do mercado de trabalho naquele país, que culmina com o payroll na sexta-feira. Aqui, destaque para os dados de produção industrial DE JULHO.
Mas o cenário político merece atenção redobrada. As imprecações do ministro Alexandre Morais com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro trouxeram uma crise do STF, envolvendo o relator do caso, o Ministro André Mendonça e Morais. O mercado, que prefere a alteração no Executivo nas eleições, vê a chance de fortalecimento na candidatura de Flávio Bolsonaro, que é um crítico contumaz do STF.
Porém, Bolsonaro se vê envolvido em novos repasses feitos por Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Em meio a disputa de narrativas de governo e oposição, hoje sai uma nova pesquisa da Quaest que merece atenção dos investidores. Uma aproximação de Flávio na disputa com o presidente Lula seria bem recebida pelo mercado, que aposta em uma mudança na política econômica e um maior compromisso com as contas públicas.
Mas os efeitos das revelações do Caso Master não serão expressos nesta pesquisa. Hoje, o ponto principal é identificar se as denúncias contra o filho do presidente Lula estaria impactando o cenário.
“Lá fora, ativos operam sem direções claras, refletindo a cautela com a escalada geopolítica. As bolsas seguem com viés mais negativo, enquanto dólar se aprecia vs principais pares. Por aqui, front político envolvendo caso Master deve seguir no centro das atenções”, resume a Ajax Asset, em boletim matinal.
O boletim destaca que as revelações envolvendo Judiciário e caso Master retomam o ambiente do 1º tri, quando fluxo de notícias expôs a ligação de Juízes com o Vorcaro. “O episódio volta a colocar a corrupção no centro do debate público, no momento onde Lula reduz favoritismo nas pesquisas eleitorais”, alerta.
Segundo a Ajax, se observava nos últimos dados o “anti-lulismo” consideravelmente maior do que o “anti-bolsonarismo”. Na avaliação da corretora, Flávio captura parte do eleitorado que, até então, rejeitava ambos os polos, ampliando seu espaço para além do eleitor tradicionalmente bolsonarista.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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