Porto Alegre, 31 de agosto de 2026 – A primeira quinzena de setembro deve ser marcada pelo retorno das chuvas a grande parte do Brasil, principalmente sobre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Segundo o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, os modelos meteorológicos apontam para um cenário mais úmido nos próximos 15 dias, embora ainda com diferenças na distribuição das precipitações e períodos de interrupção das chuvas.
“Pelos mapas do modelo europeu a gente observa muitas chuvas no Brasil nesses próximos 15 dias, chovendo em praticamente todo o Brasil nessa primeira quinzena de setembro”, afirmou. De acordo com Santos, o modelo americano apresenta uma projeção semelhante, mas reduziu as previsões de precipitação para as áreas mais ao norte do país, incluindo o Matopiba. Na avaliação do meteorologista, o modelo europeu tem apresentado uma sinalização ligeiramente melhor para as chuvas.
Nesta segunda-feira, as precipitações estão concentradas principalmente sobre o Sul, além de áreas do litoral de São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto isso, a região central do país segue com tempo aberto e temperaturas elevadas. A partir de terça-feira, porém, uma frente fria deve ganhar intensidade sobre o Sudeste e provocar chuvas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, avançando também sobre Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso.
Ao longo da semana, o avanço do sistema pela costa do Sudeste deve favorecer novas pancadas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. O Matopiba, por outro lado, deve continuar com poucas chuvas. “Toda a região do Matopiba, incluindo o Pará e o Nordeste, sem dúvida, nada de chuvas”, disse Santos.
A situação começa a mudar novamente a partir de quinta-feira, quando uma nova frente fria deve avançar pelo Sul e levar precipitações também para áreas do Centro-Oeste. A expectativa é de que o feriado de 7 de setembro seja acompanhado por bons volumes de chuva em parte da faixa central do país. Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais estão entre as áreas com maior possibilidade de precipitação no começo da próxima semana.
No Matopiba, as chuvas também podem aparecer, mas de maneira mais localizada. Tocantins, oeste da Bahia, Maranhão e Piauí podem registrar precipitações, embora com baixa intensidade e distribuição irregular. “São chuvas irregulares, de baixa intensidade e bem pontuais”, explicou o agrometeorologista.
Para o setor agrícola, a chegada das chuvas pode representar uma mudança importante. Em Mato Grosso, por exemplo, a umidade prevista pode estimular o início dos trabalhos de campo para a nova safra de soja, afirmou Santos.
Apesar da melhora nas condições, o especialista alerta que setembro não deve apresentar uma sequência contínua de chuvas. A tendência é de alternância entre períodos mais úmidos e interrupções das precipitações. “Existe sim, a possibilidade de que setembro venha a ser marcado por chuvas irregulares, então chove muito bem essa semana e principalmente na semana que vem, depois cortam as chuvas, depois elas reaparecem lá na frente”, explicou.
Segundo Santos, o comportamento está relacionado ao fortalecimento do El Niño, que tende a antecipar o retorno das chuvas no Brasil, mas sem necessariamente garantir uma distribuição uniforme. Para ele, as precipitações devem aparecer em diferentes pontos do Brasil e da América do Sul, incluindo Paraguai, Bolívia e Colômbia, mas ainda sem a sustentação necessária para configurar um período chuvoso regular.
Além da possibilidade de início do plantio da soja, as chuvas podem favorecer a abertura da florada do café e melhorar as condições para o desenvolvimento de culturas. Por outro lado, a cana-de-açúcar pode ter interrupções na colheita, enquanto o excesso de dias chuvosos pode dificultar o cultivo de arroz. No Sul, as precipitações também devem permitir a continuidade do plantio do milho.
Outro ponto de atenção é a temperatura. Mesmo com o retorno das chuvas, o centro do Brasil deve continuar enfrentando calor intenso. As projeções da Rural Clima indicam temperaturas acima de 35°C e, em algumas áreas, próximas de 40°C. No Sul, as temperaturas devem cair ao longo da semana com a entrada de novas massas de ar polar. A previsão, porém, não indica risco de geadas neste momento.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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