Porto Alegre, 18 de agosto de 2026 – A adoção de bioinsumos nas propriedades rurais exige mudanças no manejo e uma visão mais integrada do sistema produtivo, segundo relatos apresentados durante o III Fórum Bioinsumos no Agro. No painel Quem decide é o campo: a realidade da adoção dos bioinsumos: O que está limitando a adoção em larga escala?, José Eugênio Rezende Barbosa, proprietário do Agroterenas, e Pelerson Penido, CEO do Grupo Roncador, compartilharam experiências com o uso de produtos biológicos, remineralizadores e práticas voltadas à recuperação da saúde do solo.
Penido contou que o Grupo Roncador começou a utilizar biodefensivos em 2019 e, desde então, passou por um processo de adaptação de equipamentos, horários e manejo. Segundo ele, atualmente o sistema de soja inteligente está presente em 100% das áreas da propriedade, conciliando produtos químicos e biológicos. Nas duas últimas safras, a redução no uso de ingrediente ativo chegou a 81% e 68% por hectare, respectivamente, conforme a pressão de pragas em cada ciclo.
O produtor também destacou o uso de pó de rocha, remineralizadores e matéria orgânica como alternativas para reduzir a dependência de fertilizantes solúveis. De acordo com Penido, a combinação de composto orgânico e um remineralizador desenvolvido na propriedade já permite substituir completamente o fertilizante químico em algumas áreas.
Na Agroterenas, Barbosa relatou que a busca por maior produtividade em solos arenosos levou a empresa a trabalhar simultaneamente aspectos químicos, físicos e biológicos. Segundo ele, a companhia movimenta mais de 100 mil toneladas de produtos orgânicos para a nutrição das culturas e passou a contar com biólogos no acompanhamento das funções de bactérias e fungos no solo.
O executivo afirmou que a produtividade da cana-de-açúcar, que anteriormente ficava em torno de 75 toneladas por hectare, passou para patamares de 83 a 84 toneladas em anos de clima ruim e próximos de 90 toneladas em anos favoráveis. Para José Eugênio, a maior complexidade do ambiente biológico exige uma abordagem diferente daquela utilizada no manejo químico, já que diversos fatores atuam simultaneamente sobre os resultados.
Chamando atenção para essa complexidade, os participantes defenderam que a adoção de bioinsumos não deve ser tratada de forma isolada, mas integrada a outras práticas de manejo e à compreensão do funcionamento do solo e do sistema produtivo.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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