Porto Alegre, 13 de agosto de 2026 – A SLC Agrícola informou que já implementa medidas para reduzir os impactos do forte El Niño previsto para a safra 2026/27. As informações foram apresentadas pelo CEO da companhia, Aurélio Pavinato, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) nesta quinta-feira (13).
“Podemos ter secas nas nossas fazendas”, afirmou o executivo, ao destacar que a companhia trabalha em frentes para mitigar eventuais danos.
Entre as medidas citadas estão a manutenção de cobertura vegetal no solo e a redução do revolvimento da terra, práticas que, segundo Pavinato, ajudam a conservar a umidade e evitar a evaporação da água. A empresa também ajustou o calendário de plantio para aproveitar chuvas que devem se antecipar. “Esse ano temos que aproveitar as chuvas mais cedo, já que vai faltar lá na frente”, disse.
A aplicação de insumos também será adaptada de acordo com as condições climáticas. Pavinato citou como exemplo a definição do momento de aplicação de potássio: “Eu vou aplicar todo potássio na primeira aplicação? Não, você avalia conforme o clima.” Segundo ele, o objetivo é “maximizar a chuva que vier, para evitar maiores perdas.”
A companhia também amplia o uso de irrigação como ferramenta de mitigação. De acordo com Pavinato, a SLC praticamente não tinha área irrigada na Bahia em 2016; hoje, o estado conta com cerca de 25 mil hectares irrigados. O executivo afirmou que a empresa está mais preparada do que estava naquele ano, quando o El Niño provocou perda de 20% na produção, impacto que a companhia conseguiu reduzir em 5 pontos percentuais, para 15% líquidos.
“A gente tem uma expectativa de que perdas de 2027 sejam muito menores do que em 2016”, estimou o diretor-executivo.
Apesar da cautela em relação à próxima temporada, a SLC encerrou a colheita da soja 2025/26 com produtividade recorde, em um contexto de expansão da área cultivada. A produtividade média da oleaginosa é estimada em 4.146 kg/ha, ante 4.036 kg/ha projetados na safra anterior, patamar 12% superior à média nacional.
O algodão também deve fechar com produtividade recorde, de 2.155 kg/ha, avanço de 12,2% sobre 2024/25. A colheita da pluma já avançou 62%, com perspectivas favoráveis; a companhia projeta a melhor safra de algodão de sua história. Já o milho deve encerrar com produtividade de 6.798 kg/ha, abaixo dos 7.738 kg/ha projetados anteriormente para 2025/26 e dos 8.304 kg/ha obtidos em 2024/25.
Sobre a safra de soja 2026/27, Pavinato afirmou que a área plantada no Brasil deve permanecer estável. “Acreditamos que a área de soja no Brasil ficará estável esse ano, e isso é muito positivo para o preço”, disse.
Para a próxima safra, a companhia já garantiu 100% dos fosfatados previstos e 85% das compras de cloreto de potássio. As aquisições de defensivos avançam 74,3%, enquanto as compras de nitrogenados para 2026/27 ainda não haviam sido iniciadas até a data da teleconferência.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Agência Safras)
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