Porto Alegre, 10 de agosto de 2026 – O fortalecimento da indústria e o desenvolvimento de tecnologias próprias são estratégicos para que o Brasil amplie a competitividade e agregue valor à sua produção agropecuária. A avaliação foi feita durante o painel “A indústria que revoluciona o agro”, realizado no 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), com participação da presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, do CEO da Bosch América Latina, Gastón Dias Perez, e do CEO da Inpasa, Eder Lopes.
Lopes destacou a capacidade do Brasil de combinar sua vocação agrícola com o desenvolvimento industrial. Segundo ele, a indústria de biocombustíveis é um exemplo dessa integração, ao transformar grãos como milho e sorgo em produtos de maior valor agregado.
O executivo citou o aumento da utilização do sorgo como matéria-prima e uma parceria da Inpasa com a Embrapa para o desenvolvimento da cultura no Nordeste. A iniciativa, segundo ele, tem contribuído para fortalecer a produção regional e ampliar as alternativas de insumos para a indústria.
Para Lopes, o fortalecimento simultâneo da agricultura e da indústria é necessário para que o Brasil consiga enfrentar desafios geopolíticos e econômicos. Ele ressaltou ainda o impacto da atividade industrial sobre a geração de empregos e afirmou que a automação e a inteligência artificial devem ganhar espaço como ferramentas para aumentar a competitividade. “A inteligência artificial é uma ferramenta. Como você aplica a ferramenta nas diferentes indústrias tem a ver também com a demanda que você cria nessa indústria”, afirmou.
Perez, por sua vez, destacou a oportunidade de a América Latina não apenas ampliar sua participação na produção mundial de alimentos, mas também desenvolver as tecnologias utilizadas no campo. Segundo ele, o crescimento da população mundial e da demanda por alimentos deve aumentar a relevância da região nas próximas décadas.
O CEO da Bosch América Latina citou como exemplo o centro de tecnologia para o agronegócio criado pela empresa no Brasil. Entre os projetos desenvolvidos estão plantadeiras inteligentes e sistemas de pulverização equipados com câmeras e inteligência artificial, capazes de identificar plantas e direcionar a aplicação de defensivos.
A proposta, segundo Perez, é desenvolver no Brasil tecnologias voltadas às necessidades da agricultura nacional e, posteriormente, exportá-las para outros mercados. “Nós também temos que desenvolver essa tecnologia”, afirmou.
Ana Repezza, por sua vez, ressaltou o papel da pesquisa e inovação para o avanço da agricultura tropical. A CropLife Brasil representa 52 empresas que atuam nas áreas de bioinsumos, defensivos químicos, biotecnologia e sementes e mudas. Segundo ela, as empresas associadas faturaram R$ 114 bilhões em 2024 e mantiveram investimentos direcionados à pesquisa e inovação.
Ela destacou o crescimento do mercado brasileiro de bioinsumos, que avançou a taxas superiores a 10% nos últimos quatro anos, e afirmou que o país já é líder mundial nesse segmento. A adoção dessas tecnologias, segundo ela, também pode contribuir para reduzir a dependência de fertilizantes em determinadas culturas.
Repezza citou ainda a forte adoção da biotecnologia no Brasil, com organismos geneticamente modificados utilizados em mais de 180 culturas. Para ela, a manutenção desse ritmo de inovação depende de um ambiente regulatório capaz de acompanhar as necessidades do setor.
Entre as prioridades, a presidente da CropLife Brasil mencionou a regulamentação da Lei de Bioinsumos e do novo Marco Legal dos Defensivos Químicos, além da proteção de cultivares, patentes e direitos de propriedade intelectual. Segundo ela, regras mais modernas e dinâmicas são fundamentais para estimular investimentos e permitir que a agroindústria brasileira continue avançando em produtividade, competitividade e sustentabilidade.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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