Porto Alegre, 10 de agosto de 2026 – Na abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Ingo Ploger, destacou a trajetória de transformação do setor e a importância de projetar o futuro do Brasil. Segundo ele, o agronegócio é formado por homens, mulheres, filhos e pais e o congresso busca, além de acompanhar os acontecimentos, antecipar tendências, compreender os grandes movimentos globais e contribuir para uma visão estratégica de longo prazo.
Ploger ressaltou que a agricultura tropical desenvolveu soluções que não foram replicadas por outros países na mesma escala e afirmou que a capacidade brasileira de produzir até três safras por ano aproximou o campo da lógica industrial, com eficiência, inovação e produção contínua. Para ele, o campo brasileiro é, na prática, uma grande indústria a céu aberto, digitalizada, mas ainda vulnerável às incertezas climáticas.
Na sequência, Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, afirmou que o fórum é um espaço importante para discutir o futuro de um mercado e de uma indústria considerados fundamentais para o crescimento do Brasil. Ele destacou o agronegócio como motor de crescimento do país há décadas e afirmou que o setor representou mais de R$ 3 trilhões do PIB brasileiro em 2025, cerca de 25% da economia nacional.
Para Masagão, um setor dessa dimensão precisa do apoio de diferentes segmentos do país e do mercado de capitais para manter o ritmo de crescimento. Nesse sentido, ressaltou que apoiar o avanço do agronegócio faz parte do propósito da B3 de contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável.
Já a senadora Tereza Cristina, presidente do Cosag, defendeu que o agronegócio seja tratado como uma prioridade por ser um setor que vem apresentando resultados e atua como motor da economia. Ela destacou o potencial do Brasil para atender à demanda mundial por alimentos, mas apontou a questão da mão de obra como um dos principais desafios do setor. Segundo a senadora, o agro busca trabalhar corretamente, mas enfrenta dificuldades relacionadas à contratação de trabalhadores.
Tereza Cristina também defendeu que o país avance além do modelo de exportação de commodities, ampliando a agroindústria, que, segundo ela, pode gerar mais receitas para o Brasil. A integração entre agro, tecnologia, serviços, inovação e sustentabilidade foi apontada como caminho para consolidar o país como grande fornecedor global, incluindo oportunidades em biocombustíveis, como o etanol, e produtos florestais.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a transformação do Brasil no setor de alimentos ao longo das últimas décadas. Segundo ele, há 50 anos o país era importador de alimentos e, neste ano, deve superar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador de alimentos do mundo.
Alckmin também apontou os desafios relacionados ao cenário internacional, marcado por duas guerras, além dos conflitos regionais. Além disso, comemorou o fortalecimento da Embrapa, com a entrada de 315 novos pesquisadores, e a condição do Brasil como país exportador de carne sem vacinação contra a febre aftosa.
Por fim, o vice-presidente destacou a retomada de acordos comerciais, citando os entendimentos com o Mercosul, com Singapura e a União Europeia, e afirmou que as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 4% em 60 dias de vigência do acordo. Sobre as relações comerciais com os Estados Unidos, afirmou que o governo está empenhado nas negociações para corrigir a situação e voltar para o mercado americano.
Sara Lane – sara.silva@safras.com.br (Agência Safras)
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