São Paulo, 6 de agosto de 2026 – O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, destacou, em coletiva de imprensa realizada durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo (SP), que com a questão das cotas por parte da China e com a redução dos volumes que o Brasil vai direcionar para lá, será preciso diminuir a produção de carne bovina. “É a única solução para o Brasil, pois não tem como continuar nesse ritmo. O país vinha num crescimento de produtividade de carne bovina muito grande. Veja que há 5 anos abatemos 30 milhões de bois, e no último ano, o volume chegou a 42 milhões de animais. Então houve um crescimento vertiginoso, com uma alta produtividade suportada por uma grande demanda asiática, principalmente da China”, avalia.
Conforme Perosa, agora, com a demanda despencando com a cota chinesa, nós precisamos adequar a produção. Senão sobra muita carne no mercado, o que esfacelaria, vamos dizer assim, a cadeia de carne bovina no Brasil. “Então a ideia é que haja uma adequação da produção no Brasil para que a gente possa continuar fornecendo para todos os destinos”, disse
O presidente da ABIEC lembra que existem diferenças de mercado. “Não adianta parar de fornecer à China e dizer que vai fornecer para Europa. Eles têm um outro canal de venda, pedindo outro tipo de corte que é diferente do tipo de corte que vai para a China. Basicamente, o que vai para a China são miúdos, são o dianteiro do boi. Para a Europa vai o traseiro do boi, via de regra”, explica.
Assim, conforme Perosa, não dá para produzir um boi só com a parte da frente ou só com a parte de trás. “Então nós precisamos ter essa complementariedade de mercados para poder produzir. Eu acho que haverá uma redução da produção, uma adequação da indústria e do campo à nova realidade diante da baixa demanda asiática”, finaliza.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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