São Paulo, 5 de agosto de 2026 – Em painel sobre o cenário do setor de proteína animal no Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo (SP), o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, sinalizou que a cadeia produtiva estava preparada para atender a demanda, com um aumento da oferta de carne bovina de 38 para 42 milhões de cabeças. “Mas houve dificuldades que surgiram com a salvaguarda da China, com as cotas impostas pelos Estados Unidos e com as novas normativas da União Europeia para antimicrobianos”, alerta.
Perosa destacou que a produtividade da carne bovina no Brasil segue alta, mas a demanda caiu por conta desses entraves externos. “Temos o desafio de manter o mesmo ritmo no setor de carne bovina, que no ano passado trouxe divisas de quase US$ 29 bilhões ao Brasil com os embarques. Se somarmos as vendas no mercado interno, o setor contribuiu com uma receita ao redor de US$ 80 bilhões ao país”, comenta.
Perosa explicou que o setor atende ao mercado interno com 70% da produção e os 30% restantes são exportados com uma agregação de valor, englobando muitos cortes que não são demandados no Brasil mas que são apreciados em outros países. “Assim uma perda do pilar de exportação acabou impactando o mercado interno e o setor tenta mitigar esse entrave. Um desafio é manter as parcerias entre a ABIEC e a ApexBrasil para abrir novos mercados e manter os negócios com os quais o Brasil já atende”, ressalta.
Brasil segue buscando aberturas de mercado no Japão e Coreia do Sul
Perosa enfatizou que o setor de carne bovina segue buscando abrir o mercado do Japão e da Coreia do Sul. Para este último destino, haverá uma vistoria na semana que vem de todo o sistema sanitário brasileiro, visando uma abertura futura, que não se dará no curto prazo”, disse.
Ele afirmou que as negociações para a abertura da Turquia seguem duras e intensas, assim como as tratativas de retomada dos embarques para a Tailândia, mercado que foi aberto mas que passou a apresentar dificuldades nos negócios.
Perosa reiterou que o grande foco do mercado de carne bovina está na Ásia e no Sudeste Asiático, uma vez que o consumo interno ainda é limitado. “O consumo no Brasil gira ao redor de 35 quilos por habitante ano, contra apenas 5 quilos da China. Se aumentar essa demanda o Brasil não terá oferta para atender a esse destino”, avalia
Segundo Perosa, outro mercado potencial para o setor é a África, que talvez, dentro de cinco a dez anos, pode ter uma condição econômica melhor para comprar cortes de maior valor agregado do Brasil.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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