Porto Alegre, 27 de julho de 2026 – O agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, afirmou que o El Niño já está plenamente estabelecido e deverá influenciar de forma significativa o clima brasileiro ao longo da safra 2026/27. Em um alerta especial divulgado, o especialista rebateu análises que colocam em dúvida a presença do fenômeno e sustentou que tanto o oceano quanto a atmosfera já apresentam sinais claros da atuação do El Niño.
Segundo Santos, os eventos climáticos registrados nas últimas semanas reforçam essa avaliação. Ele citou as chuvas intensas no Rio Grande do Sul, os temporais que atingiram o interior de São Paulo, especialmente a região de Ribeirão Preto, além das precipitações registradas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Matopiba durante julho. “Tudo isso está, sim, associado ao El Niño. E vai ser um El Niño de forte intensidade”, afirmou.
De acordo com o agrometeorologista, o aquecimento do Oceano Pacífico atingiu níveis excepcionais para esta época do ano. Segundo ele, as anomalias de temperatura observadas nas diferentes regiões monitoradas do Pacífico são inéditas na série histórica utilizada pela Rural Clima. “Estamos com dois graus acima da média para essa época do ano, o que é raríssimo. Nunca vimos isso na série histórica dos últimos 76 anos”, destacou.
Segundo o especialista, os indicadores atmosféricos já confirmam o acoplamento do fenômeno. “A atmosfera já está respondendo 100% ao fenômeno El Niño”, disse, citando o Índice de Oscilação Sul (SOI) como uma das principais evidências. Para ele, esse comportamento já é observado desde meados de abril. O meteorologista também reconheceu que o terremoto ocorrido no Pacífico pode ter acelerado o desenvolvimento do fenômeno, mas rejeitou a ideia de que ele tenha sido sua causa.
Santos aponta que a presença de águas mais frias em parte do Pacífico também foi observada durante o histórico evento de 2015/16, considerado um dos mais intensos já registrados. “Em 2015 e 2016 tinha muito mais água fria do que agora e, mesmo assim, se formou um El Niño muito forte”, afirmou.
Com base nos modelos climáticos, o agrometeorologista avalia que o fenômeno deverá atingir intensidade forte, com anomalias entre 2,5°C e 3°C na região de monitoramento do Pacífico. Embora parte dos modelos aponte valores ainda maiores, ele considera que o consenso indica um evento de forte intensidade. “Independentemente se ele vai ser de dois, dois e meio ou três, os efeitos são quase os mesmos”, ressaltou.
Para o Brasil, a expectativa é de impactos distintos entre as regiões. Segundo o especialista, o El Niño deverá favorecer chuvas acima da média no Sul e no Nordeste, enquanto aumentará o risco de períodos de estiagem no Cerrado, abrangendo áreas do Centro-Oeste, Sudeste e parte da região Norte.
Santos também chamou atenção para outro efeito característico do fenômeno, que é a antecipação do início do período chuvoso. Segundo ele, esse comportamento explica as precipitações observadas em pleno inverno em algumas regiões do país. “O El Niño antecipa o período chuvoso no Brasil. Ele antecipa as chuvas e corta lá no final, é uma característica do fenômeno”, explicou.
Além das alterações no regime de chuvas, o agrometeorologista projeta temperaturas acima da média ao longo dos próximos meses, repetindo um padrão observado em episódios anteriores do fenômeno. Na avaliação dele, o cenário exige atenção do setor agropecuário diante dos possíveis impactos sobre o desenvolvimento das culturas e o planejamento da safra 2026/27.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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