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Feijão carioca recua com avanço da terceira safra, enquanto grão preto segue sustentado

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Porto Alegre, 17 de julho de 2026 – O mercado do feijão carioca encerrou a semana com mudança significativa na formação dos preços. Após um início relativamente estável, sustentado pelo bom volume de negócios da semana anterior, a liquidez perdeu força diante da retração compradora e da entrada gradual da terceira safra 2025/26. O analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, ressalta que a maior disponibilidade de produto, principalmente proveniente das áreas irrigadas de Goiás e Minas Gerais, “elevou a oferta de lotes superiores e obrigou corretores a reduzirem gradualmente as pedida”.

Para o analista, o movimento foi mais intenso justamente nas categorias de maior valor agregado, refletindo a expectativa de aumento da disponibilidade física nas próximas semanas.

Os feijões extras lideraram o ajuste negativo. O padrão nota 9,5 acumulou desvalorização semanal superior a 12%, passando de R$ 445 para R$ 390 por saca (sc) CIF São Paulo. Em diversas regiões produtoras, lotes extras negociados próximos de R$ 400 passaram a girar abaixo de R$ 350 por saca no FOB (preço na origem).

“As negociações permaneceram concentradas por amostras e embarques programados, enquanto compradores limitaram as aquisições apenas para reposição imediata”, observa Oliveira.

Os padrões comerciais também recuaram, acompanhando o ajuste dos produtos superiores, embora continuem apresentando maior giro devido à melhor relação entre qualidade e preço.

No mercado FOB, o enfraquecimento das referências nacionais foi confirmado. Nos feijões notas 9 ou superiores, o interior paulista permaneceu próximo de R$ 375/sc, enquanto Triângulo Mineiro, Leste Goiano, Sul/Sudoeste e Noroeste de Minas concentraram negociações entre R$ 350 e R$ 370/sc, e o Noroeste Goiano ao redor de R$ 340/sc. Nos padrões 8 e 8,5, Sul/Sudoeste de Minas liderou com cerca de R$ 344/sc, seguido pelo interior paulista e Noroeste Goiano entre R$ 330 e R$ 335/sc, Mato Grosso, Leste Goiano e Triângulo Mineiro entre R$ 325 e R$ 330/sc, Noroeste de Minas próximo de R$ 315/sc e Sul do Paraná entre R$ 270 e R$ 275/sc.

“O mercado inicia a próxima semana buscando um novo ponto de equilíbrio entre oferta crescente e demanda cautelosa”, destaca Oliveira.

Escassez do Tipo 1 mantém sustentação do grão preto
Já o mercado do feijão preto apresentou comportamento distinto ao observado no carioca. A liquidez permaneceu reduzida durante toda a semana, com poucos negócios efetivamente concluídos e compradores atuando de forma seletiva. Apesar do ritmo lento de comercialização, a conclusão da colheita da segunda safra 2025/26 reduziu a entrada de novos volumes, enquanto persistiram dificuldades para localizar lotes Tipo 1.

“Dessa forma, o foco do mercado deixou de ser a oferta abundante e passou a concentrar-se na disponibilidade efetiva de produto superior para abastecimento das principais praças consumidoras”, comenta o analista.

A menor circulação de feijões de alta qualidade sustentou as referências nominais ao longo da semana. Compradores intensificaram consultas sobre lotes superiores, porém a postura firme dos vendedores limitou concessões nos preços. Na Zona Cerealista de São Paulo, os melhores padrões permaneceram negociados entre R$ 260 e R$ 270 por saca CIF, enquanto o produto comercial de melhor qualidade circulou entre R$ 240 e R$ 255 por saca.

“A dificuldade de acesso a algumas lavouras e o encerramento gradual da colheita restringiram ainda mais a disponibilidade dos melhores lotes, reduzindo o risco imediato de pressão baixista sobre o segmento”, aponta Oliveira.

No FOB, predominou estabilidade nas principais regiões produtoras. O interior paulista encerrou com indicações entre R$ 250 e R$ 255/sc, seguido pelo Oeste Catarinense, com R$ 205/sc, e pelo Sul do Paraná, com R$ 210/sc. As oscilações diárias permaneceram limitadas, refletindo um ambiente de baixa liquidez e oferta qualificada restrita.

“Enquanto o carioca atravessa processo de ajuste motivado pela entrada da terceira safra 2025/26, o preto continua encontrando sustentação na escassez crescente do grão Tipo 1”, conclui o analista. Acrescentando que, para a próxima semana, o mercado deverá acompanhar principalmente a velocidade do escoamento dos estoques disponíveis e a intensidade da reposição realizada pelos empacotadores.


Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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