Porto Alegre, 10 de julho de 2026 – A semana foi de dias de fortes altas para as cotações do café nas Bolsas de Nova York para o arábica e de Londres para o robusta, mas também de sessões de correções negativas. No balanço semanal, os preços subiram tanto nas bolsas quanto no mercado físico brasileiro, que acompanhou os altos e baixos de NY e Londres. Ainda houve a desvalorização do dólar, que trouxe natural pressão aos valores internos.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, essa volatilidade recente tem muito de aspectos financeiros, houve vencimento de opções, realocamento de carteira de fundos e gatilhos técnicos, tudo isso servindo para esses altos e baixos nas bolsas. “Mas, tem um ponto importante, que é a mudança de comportamento na curva de preços do café. Apesar de toda a volatilidade, enxergamos uma mudança de comportamento para cima nos preços e isso tem a ver com fundamentos”, destaca Barabach.
Ele coloca que essa alteração no mercado tem a ver com o andamento mais lento da safra brasileira, que quebrou o otimismo de que, com a chegada da safra brasileira, todos os problemas iam se solucionar. “Esse atraso na colheita, vindo junto com problemas de qualidade do café no arábica, com risco de que a umidade mexa com o perfil de bebida e interfira no resultado final da safra e também com ajuste na produção de conilon do Espírito Santo, foi um aspecto fortemente altista”, destaca.
Barabach ressalta que essas apreensões alteraram o eixo da curva de preço para cima. “E vem por conta da quebra de otimismo com a safra brasileira, que virou preocupação, com colheita, qualidade e com o que virá com o segundo semestre”, observa. Coloca ainda o grande temor com o aumento do percentual de chance de um El Niño intenso, o que ganhou dimensão maior diante do cenário atual de estoques baixos, principalmente em bolsa.
As preocupações com o atraso na colheita no Brasil, com chuvas retardando a retirada dos grãos das lavouras e também a secagem e beneficiamento dos grãos inevitavelmente mexeram com os mercados. O fato é que o café do maior país produtor está demorando mais para chegar ao mercado. E ainda há apreensões com a qualidade do arábica, especialmente, diante do excesso de umidade.
Houve bastante movimentos especulativos, com fundos e especuladores atuando fortemente ora na ponta compradora, ora na ponta vendedora. O fenômeno El Niño traz dúvidas futuras para a produção dos principais países cafeicultores. Há temores com as safras do Vietnã e Indonésia para o robusta, por exemplo, sem falar na safra de 2027 do Brasil pelas mudanças climáticas.
No balanço semanal até as 11h desta sexta-feira, 10 de julho, na Bolsa de Nova York, o arábica para setembro acumulou alta de 7,6%. Já o robusta na Bolsa de Londres no mesmo comparativo acumulou valorização de 2,7%.
No Brasil, o mercado físico acompanhou as oscilações das bolsas. Ao longo da semana, nos momentos de alta das bolsas, os compradores recuaram e em muitos casos não repassaram os ganhos na mesma proporção. Por outro lado, nas quedas das bolsas, os produtores se retraíram e o mercado também não acompanhou as baixas nos mesmos níveis de NY e Londres. A semana foi de agitação pela volatilidade das bolsas e ao mesmo tempo de cautela entre produtores e compradores.
No balanço semanal no mercado físico brasileiro de café, o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, safra nova, subiu entre as quintas-feiras 02 e 09 de julho de R$ 1.720,00 a saca na base de compra para R$ 1.890,00, representando alta de 9,9%. O conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, avançou no mesmo período de R$ 1.080,00 a saca para R$ 1.120,00, valorização de 3,7%. A queda do dólar comercial acumulada entre 02 e 09 de julho de 1,6% limitou uma subida mais forte dos grãos no país.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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