Porto Alegre, 8 de julho de 2026 – A colheita do milho safrinha no Oeste do Paraná deve encerrar o dia de hoje com aproximadamente 24% a 25% da área colhida, mas segue avançando abaixo do potencial devido às limitações na capacidade de recebimento e secagem das unidades armazenadoras. A avaliação é do economista e técnico agrícola Ernani José Benincá, da Klug Corretora, em entrevista exclusiva à Safras News.
Segundo Benincá, o ritmo atual gira em torno de 2% da área ao dia, percentual inferior ao registrado em safras mais secas, quando a evolução chegava entre 3,5% e 4% diários. “Hoje, no final do dia, devemos fechar em torno de 24% a 25% colhido no geral. Essa progressão está na casa de 2% ao dia, mas poderia ser maior se não fosse o estrangulamento no recebimento. Como o milho ainda chega bastante úmido, o rendimento da secagem diminui e isso limita a capacidade de recebimento”, relata.
De acordo com o técnico, a elevada umidade dos grãos tem elevado significativamente os custos das cerealistas. O consumo de biomassa florestal utilizada na secagem praticamente dobrou em relação à safra passada. Enquanto em 2025 eram necessários cerca de 33 quilos por tonelada de milho recebida, neste ano o consumo já alcança aproximadamente 70 quilos por tonelada.
“Começamos a colheita com milho entre 28% e 30% de umidade. Agora já está entrando entre 22% e 24%, mas sempre que aparece previsão de chuva com vento o produtor corre para colher o milho úmido. Isso aumenta bastante o consumo de biomassa, de energia elétrica e o custo da secagem”, afirma Benincá.
Apesar das preocupações registradas nas últimas semanas em relação aos efeitos das chuvas sobre a qualidade dos grãos, o especialista observa que o cenário observado até o momento é positivo. Segundo ele, alguns híbridos apresentaram índices um pouco maiores de grãos brotados, mas o volume permanece dentro dos padrões aceitos pelo mercado.
“Tem um ou outro híbrido que apresentou índice de brotados um pouco acima do tolerável. Mas, no conjunto da colheita, isso fica dentro da tolerância, entre 2% e 3% de avariados totais. Não deverá haver problema de comercialização”, observa o técnico.
Outro ajuste observado nesta semana ocorreu na produtividade média da região. Conforme o economista, a entrada da colheita nas áreas da região beira-lago, mais afetadas pelo estresse hídrico e pelo calor durante março, reduziu a média regional em cerca de 120 quilos por hectare.
Mesmo assim, ele acredita que o potencial produtivo da região já está praticamente consolidado, uma vez que cerca de um quarto da safra foi colhida. “Com praticamente um quarto da safra colhida, já temos um retrato muito próximo do resultado final. A expectativa é fechar a média do Oeste do Paraná entre 6.500 e 6.550 quilos por hectare”, conclui Benincá.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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