Porto Alegre, 6 de julho de 2026 – No cenário atual do agronegócio, onde a produtividade precisa caminhar junto com a preservação, a busca por validações internacionais tornou-se um marco para as empresas do setor sementeiro. Um dos reconhecimentos mais importantes da atualidade para o segmento é o selo concedido pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS). Esse tipo de reconhecimento, em paralelo com a entrada efetiva no mercado de crédito de carbono, leva as sementeiras para uma das fronteiras mais promissoras do agronegócio global.
Além das empresas de produção de sementes darem mais foco a esse movimento de sustentabilidade, associações e grupos de produtores rurais também estão migrando para essa tendência que veio para ficar. É o caso do Clube Amigos da Terra (CAT), criado em 2003 e sediado na região de Sorriso, que desde 2013 conta com a parceria da certificação RTRS, como explica a presidente do CAT, Márcia Becker Paiva. “Inicialmente foram nove propriedades na época, e gradualmente o número foi aumentando com a divulgação que fizemos, tanto em Sorriso como na nossa região. Atualmente, temos 58 propriedades certificadas, que totalizam mais de 680.000 hectares de soja com o selo RTRS. As fazendas começaram a ficar mais organizadas, começou-se a ver o trabalhador não como um peão, mas sim como um colaborador que necessitava de atenção também, assim como os agricultores. E isso foi cumprindo essas metas que a RTRS nos exigia até chegarmos a esse grande número. Com o aumento contínuo, nós conseguimos preservar, sim, e com qualidade do grão em grande escala; ao mesmo tempo, a gente consegue preservar o meio ambiente para conseguir produzir por muitos anos ainda”, destacou.
Em Mato Grosso, uma empresa de produção de sementes recentemente recebeu o selo da RTRS, após uma rigorosa auditoria que valida toda a cadeia produtiva da semente, assegurando que o insumo foi gerado sob os mais estritos critérios de desmatamento zero, respeito às leis trabalhistas e conservação ambiental. O coordenador de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Petrovina Sementes, Tiago Rodrigues de Souza, que também é responsável pelo setor de certificação e sustentabilidade, conta que, em 2023, a empresa iniciou o processo de entrada na RTRS, o que, segundo ele, trará avanços em diversas áreas do processo produtivo de sementes. “Essa certificação agrega muito para o produtor não só na parte financeira, com o retorno financeiro gerado por meio de um crédito, mas também há um ganho organizacional, pois ajuda a fazenda a se organizar perante os órgãos regulatórios”, disse.
Ainda sobre a certificação conquistada, Tiago explica que a RTRS referência os créditos de carbono. Ele detalha que, em 2023 e 2024, a Petrovina Sementes teve o primeiro crédito dentro de bancos específicos para a área de sustentabilidade, ou seja, um crédito dedicado à RTRS, um crédito de sustentabilidade na captação de recursos. Outras vantagens também são listadas pelo coordenador da empresa. “Em caso de fiscalização dentro da fazenda, devido ao nível regulatório que é apresentado, são evitados vários passivos, tanto ambientais quanto trabalhistas; a certificação ajuda a regularizar essas questões. E, dentro do mercado geral, esse selo da RTRS oferece uma maior confiabilidade para o produto. Como exemplo de caso, a nossa soja hoje é comercializada para uma Trader; a primeira coisa que a Trader pergunta em algumas transações é se a nossa soja é RTRS. Em caso positivo, a operação já ganha algumas vantagens em relação àquelas que não têm a certificação”, explicou.
O posicionamento da sementeira mato-grossense nesse cenário é reforçado com o lançamento da Primepro Eco, a primeira semente de soja carbono zero do planeta. O coordenador da área de Tecnologia Agrícola da Petrovina Sementes e responsável pelo projeto de inventário de carbono, Pedro Mokfa, fala sobre o processo dentro da cadeia de produção de sementes para que o produto seja considerado neutro em relação à emissão de carbono: “Essa nova linha de sementes envolve todas as cultivares do portfólio que a empresa produz, o que é um avanço na tecnologia dessa linha. Adicionamos a sustentabilidade ao processo e, assim, realizamos o inventário de carbono, desde o plantio até o transporte, fazendo a descarbonização dessa semente com a mensuração de quanto se emite de CO2. Na sequência, promovemos o ressarcimento desse CO2 com a compra do crédito de carbono para deixá-la neutra”, destacou.
As informações são da assessoria de imprensa.
Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras News
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