São Paulo, 26 de junho de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne na terça e na quarta para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.
A maioria do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano.
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada na segunda, estão indicando Selic a 13,75% no final do ano, nível bem acima das otimistas projeções do início do ano, em torno de 12%.
O dashboard de opções do Copom, da B3, apontava, na terça, 16, 68,75% de chances de corte de 0,25 ponto. A manutenção do juro tem 32%. No final da semana passada, as opções eram inversas. A mudança ocorreu, basicamente, após o anúncio de acordo entre Irã e Estados Unidos para encaminhar o final do conflito no Oriente Médio.
Avaliação do mercado
Levantamento do Valor para a decisão de quarta-feira aponta que a maioria do mercado aposta em novo corte de 25 bps. Foram pesquisadas 113 casas, sendo que 19 apostam na manutenção da taxa (17%), com as demais apostando no corte mínimo. Para o fim do ano, as perspectivas são mais dispersas, com o mínimo em 12,25% e o máximo em 14,50%, ao passo que a mediana está em 14,00%.
Segundo a XP Investimentos, o fluxo de dados e notícias econômicas desde a última reunião do Copom indica deterioração adicional no cenário de inflação. “Choques globais de oferta persistem mesmo com a queda recente nos preços do petróleo, a atividade doméstica reacelerou em meio a medidas de estímulo, e a taxa de câmbio parou de apreciar”, resume.
“Prevemos mais um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, para 14,25%. O comunicado pós-reunião deve destacar as pressões recentes e os riscos para a convergência da inflação à meta. O Copom não deve indicar explicitamente que o ciclo de flexibilização monetária terminou, mantendo espaço para cortes adicionais, caso o cenário evolua de modo favorável. Porém, o Comitê deve retirar menções a ‘próximos passos da calibração dos juros’, sugerindo que uma pausa pode ocorrer em breve”, acrescenta. “Nosso cenário contempla duas reduções adicionais de 0,25 p.p. na taxa Selic, para 14,00%. Contudo, considerando os desafios à frente, o Comitê pode optar por interromper o ciclo após a redução desta semana”.
A Ativa Investimentos aposta em taxa final de 12,25%. “Esse cenário contempla a reabertura do estreito de Ormuz e a reeleição de Lula. Se essas hipóteses forem frustradas, por conseguinte nossa previsão deverá ser alterada. A não reeleição de Lula abriria espaço para mais cortes da Selic, por reancoragem das expectativas de inflação diante de um novo projeto fiscal. De maneira análoga, se o preço do petróleo voltar para algo ao redor de US$ 100 por barril, nossa perspectiva para a Selic fica bem mais restritiva”, justifica. .
A Warren Investimentos acredita que o Banco Central deverá manter a taxa Selic inalterada em 14,50%, mas mantendo um tom neutro na comunicação, podendo voltar a encontrar espaço para cortes apenas na última reunião do ano. “Chegamos à terceira reunião desde o início do conflito no Oriente Médio, ainda com elevado nível de incerteza e sem perspectivas claras sobre o fim do conflito, a liberação do Estreito de Ormuz e o comportamento do preço do petróleo, que continua ao redor de US$ 100 por barril”.
Luiz Otávio Leal, economista da G5 Partners, aposta em corte de 0,25 ponto, mas destaca ver pouco espaço para ir além dos 14,00% a.a. até o fim do ano.
A ABBC (Associação Brasileira de Bancos) ainda vê espaço para corte de 0,25 ponto e taxa final de 14% em 2026, mas alerta que conflito no Oriente Médio e alta na energia exigem cautela.
Para a ABBC, apesar de que as condições sejam extremamente desafiadoras, a calibragem não impediria uma reavaliação que estaria condicionada à evolução do cenário que exibe um balanço de riscos mais assimétrico, com predominância dos fatores de alta, e uma desaceleração mais gradual da economia do que a antecipada anteriormente.
A equipe de economistas do Itaú aposta também no corte de 0,25 ponto percentual, mas vê o futuro ainda incerto. “Desde a última reunião, dados mais fortes nos Estados Unidos – em especial o payroll de maio, mostrando aceleração do mercado de trabalho –, se somaram ao contexto de pressão vinda do conflito no Oriente Médio e contribuíram para uma reprecificação da trajetória de juros americanos, com consequências sobre preços de ativos ao redor do mundo, inclusive das taxas de câmbio, onde a tendência de enfraquecimento do dólar passou a flertar com alguma reversão”.
O Itaú não acredita que o comitê irá descrever o balanço de riscos para a inflação como assimétrico, uma vez que tal mudança poderia levar o mercado a passar a discutir altas de juros de forma mais concreta. “Seguimos enxergando que o cenário atual sugere um trade-off bastante delicado entre avançar no processo de flexibilização (em particular, em meio às incertezas crescentes no âmbito doméstico, dado o alto grau de alavancagem das empresas e das famílias), e o risco de deterioração adicional do ambiente inflacionário. Em termos líquidos, desde a última reunião, o tamanho total do ciclo parece ter diminuído”.
O Bank of America (BofA) disse que, desde a última avaliação, o cenário macroeconômico tornou-se significativamente menos benigno, “levando-nos a revisar nossa projeção para a taxa de juros. Agora esperamos que a Selic encerre 2026 em 14,25% (ante 13,25%), implicando um último corte de 25 pontos-base em junho, seguido por uma pausa prolongada até meados de 2027, quando o ciclo de flexibilização poderá eventualmente ser retomado em conjunto com o Fed. Para o final de 2027, agora projetamos a taxa de juros em 13,25% (ante 12,50%)”.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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