São Paulo, 15 de junho de 2026 – As sementes ilegais já representam mais de 28% do mercado de soja no Rio Grande do Sul, percentual bem acima da média nacional, estimada em 11%. O alerta foi feito pela diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, Catharina Pires, durante workshop sobre biotecnologia e inovação promovido pela Bayer e acompanhado pela Safras News nesta segunda-feira (15), em São Paulo.
Segundo a gestora, a utilização de sementes de origem ilegal gera impactos econômicos estimados em R$ 10 bilhões por ano na cadeia da soja brasileira. Ela destacou que os prejuízos atingem produtores, empresas, exportadores e também a arrecadação pública.
Catharina afirmou que o agricultor que opta por sementes ilegais assume riscos relacionados à qualidade, vigor, pureza genética, germinação e produtividade. Além disso, perde o suporte oferecido por empresas e canais oficiais de comercialização.
“Se der problema, ele não tem para quem ligar. Na semente certificada existe assistência técnica, nota fiscal e rastreabilidade”, ressaltou.
A administradora observou que parte dos produtores tem conhecimento de que está adquirindo um produto irregular, enquanto outros acabam sendo vítimas de fraudes. Entre os casos identificados pela entidade estão notas fiscais falsificadas e comercialização de sementes em embalagens inadequadas ou reutilizadas.
Ela também chamou atenção para os riscos sanitários associados à entrada ilegal de sementes no país, especialmente em regiões de fronteira. Segundo Catharina, materiais introduzidos sem fiscalização podem trazer pragas e problemas fitossanitários capazes de causar impactos relevantes à agricultura brasileira.
De acordo com a diretora, a CropLife Brasil atua em ações de conscientização junto aos produtores para alertar sobre os riscos da utilização de insumos ilegais. O trabalho inclui campanhas educativas e parcerias com órgãos de fiscalização, como Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal.
Ao comentar a situação do Rio Grande do Sul, Catharina avaliou que diversos fatores contribuem para o elevado índice de sementes ilegais no estado, entre eles a proximidade com países vizinhos, o perfil de propriedades menores e a situação de vulnerabilidade enfrentada por muitos produtores após sucessivos eventos climáticos adversos.
Segundo ela, justamente por enfrentar um cenário de maior fragilidade econômica, o agricultor gaúcho é um dos que mais precisam ter acesso à informação e à tecnologia. “Ele não pode errar. Se errar, muitas vezes não tem lastro para se recuperar”, afirmou.
A expectativa da entidade é reduzir os índices de pirataria por meio de ações de conscientização e do fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e controle.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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