São Paulo, 15 de maio de 2026 – O mercado financeiro global amanheceu de mau humor, sentimento que deve se estender às primeiras negociações no Brasil. O clima de aversão ao risco sustenta petróleo, dólar e, principalmente os títulos do Tesouro americano, resultado dos temores inflacionários com a persistência do conflito no Oriente Médio. O resultado evasivo do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, aumentou o ceticismo dos investidores.
Trump encerrou sua visita oficial à China sem obter avanços concretos nas negociações comerciais nem apoio efetivo de Pequim para encerrar o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, segundo avaliação da agência Reuters.
Apesar do tom amistoso adotado ao longo dos dois dias de reuniões com o presidente chinês Xi Jinping, o encontro terminou com resultados considerados limitados pelos mercados e analistas. Trump classificou a viagem como “incrível” e afirmou que “muitas coisas boas” surgiram das conversas com Xi.
O presidente americano buscava resultados rápidos capazes de fortalecer sua popularidade doméstica antes das eleições legislativas de meio de mandato. Segundo a Reuters, a visita foi marcada por forte simbolismo político e diplomático, mas com poucos anúncios concretos.
Nos bastidores, Xi Jinping alertou Trump de que qualquer erro na condução da questão de Taiwan poderá levar as relações bilaterais a um cenário de conflito. O presidente americano evitou comentar publicamente o tema durante toda a viagem.
Em relação ao Irã, Trump esperava convencer a China a exercer maior pressão sobre Teerã para destravar negociações envolvendo o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, Pequim evitou assumir compromissos específicos sobre o tema.
No campo comercial, autoridades americanas afirmaram ter avançado em acordos envolvendo produtos agrícolas e criação de mecanismos para gestão das relações econômicas entre os dois países. Ainda assim, os detalhes dos entendimentos permanecem limitados.
Também não houve definição sobre a renovação da atual trégua envolvendo exportações chinesas de terras raras, tema considerado estratégico para setores de tecnologia e defesa dos Estados Unidos. Analistas destacaram que a ausência de avanços concretos reduziu o entusiasmo dos investidores em relação à cúpula.
Segundo a Dow Jones, as declarações de Trump sobre o Estreito de Ormuz também ampliaram as preocupações dos investidores. Segundo o presidente americano, os Estados Unidos “não precisam do Estreito de Ormuz aberto de forma alguma”, apesar das discussões realizadas com Xi envolvendo a crise energética global. O comentário elevou ainda mais os preços internacionais do petróleo, que acumulam alta próxima de 9% nesta semana.
No campo doméstico, o mercado avalia o impacto da conexão do candidato à presidência Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso nas investigações do Caso Master. Ainda hoje o Datafolha divulga nova pesquisa eleitoral e os investidores vão analisar se já há efeito na candidatura nestes números.
Em relação a indicadores, expectativa com o resultado do setor de serviços em março. O mercado aposta em queda de 0,1% na comparação mensal e alta de 4,5% na anual.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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