Porto Alegre, 14 de maio de 2026 – Em entrevista à Agência Safras News durante o 4o Congresso da Abramilho, realizado em Brasília (DF), nesta quarta-feira (13), o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, Paulo Bertolini, avaliou o atual cenário da cadeia do milho no Brasil e destacou os desafios enfrentados pelos produtores rurais.
Segundo Bertolini, o agronegócio brasileiro vive um momento de pressão financeira, marcado por altos custos de produção, endividamento e instabilidade internacional. “O agro brasileiro como um todo está enfrentando um momento difícil. Há um endividamento elevado, custos altos de produção e dificuldades relacionadas aos fertilizantes e ao óleo diesel. Além disso, vivemos uma crise internacional, com guerras tanto na Europa quanto no Oriente Médio, que afetam diretamente a cadeia de suprimentos do agro brasileiro”, afirmou.
Apesar do cenário desafiador, o presidente da Abramilho ressaltou a capacidade de reação do setor. “Somos resilientes. Estamos trabalhando para minimizar esses problemas, buscando alternativas e discutindo soluções com o Congresso, com a Frente Parlamentar da Agropecuária e com o governo, para superar essa fase difícil e continuar produzindo alimentos para os brasileiros e para mais de 800 milhões de pessoas no mundo que dependem da produção brasileira”, destacou.
Bertolini também comentou sobre a importância da segunda safra de milho para o abastecimento interno e para as exportações brasileiras. Ele lembrou que a chamada “safrinha” ganhou protagonismo a partir de 2011, impulsionada pelo avanço tecnológico no campo.
“A segunda safra passou a ser a maior safra do Brasil. Com o uso de tecnologia, biotecnologia, práticas agrícolas e plantio direto, ela se tornou extremamente importante para o país. Hoje, produzimos mais de 100 milhões de toneladas nessa segunda safra”, explicou.
O dirigente ressaltou que o milho da segunda safra é fundamental para garantir o abastecimento interno ao longo do ano e manter a competitividade do Brasil no mercado internacional.
“O Brasil consome quase 100 milhões de toneladas de milho por ano. A segunda safra garante o suprimento do mercado nacional e ainda gera um excedente exportável superior a 40 milhões de toneladas”, disse.
Mesmo com problemas climáticos registrados em algumas regiões produtoras, como falta de chuva em estados do Centro-Oeste e ocorrência de geadas antecipadas no Sul do país, Bertolini afirmou que o Brasil seguirá com uma produção robusta.
“Alguns estados enfrentam dificuldades climáticas, houve atraso no plantio em determinadas regiões e tivemos geadas mais cedo neste ano. Isso aumenta os riscos da atividade. Ainda assim, o Brasil mantém uma produção exuberante. Somos o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador de milho”, concluiu.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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