São Paulo, 14 de maio de 2026 – O mercado financeiro volta suas atenções para dois eixos nesta quinta. No Brasil, os investidores foram surpreendidos ontem com a matéria do site Intercept sobre a relação entre o candidato à presidente, Flávio Bolsonaro, e o banqueiro Daniel Vorcaro. No exterior, os olhos se voltam para o encontro dos presidentes das duas maiores economias do mundo, o americano Donald Trump e o chinês Xi Jinping.
Na quarta, após a divulgação da matéria, o Ibovespa despencou, enquanto dólar e juros dispararam. Empatado tecnicamente com o presidente Lula nas pesquisas eleitorais, o senador Flávio Bolsonaro vê sua candidatura sofrer um forte abalo. Para o mercado, a possibilidade de uma alternância no governo está mais distante e, por isso, o comportamento negativo.
Somam-se ao momento ruim da direita, alguns sinais de melhora na popularidade do governo Lula e o anúncio de uma série de medidas – subvenção aos combustíveis, fim da taxa das “blusinhas e o Desenrola – consideradas eleitoreiras e que poderão resultar em um distanciamento de Lula na corrida eleitoral.
No exterior, o clima é de maior otimismo, após as primeiras notícias vindas de Pequim. As bolsas no exterior estão sendo impulsionadas principalmente pelas ações de tecnologia e semicondutores. O movimento foi liderado pela Nvidia, que subia cerca de 1,9% no pré-mercado após informações de que os Estados Unidos autorizaram aproximadamente dez empresas chinesas a adquirirem o chip H200, segundo processador de inteligência artificial mais poderoso da companhia.
O forte rali das ações ligadas à inteligência artificial continua sustentando os mercados americanos, apesar das preocupações persistentes com inflação elevada e tensões geopolíticas no Oriente Médio. Investidores também acompanham os desdobramentos da cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim.
Durante a abertura do encontro, Xi afirmou que as negociações comerciais entre os dois países estão avançando, mas alertou que tensões envolvendo Taiwan podem colocar as relações bilaterais em uma trajetória “perigosa” e até provocar conflitos.
No cenário corporativo, o mercado segue de olho na temporada de balanços. O Banco do Brasil teve Lucro Líquido Ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O valor representa uma queda de 53,5% em comparação ao mesmo período de 2025 e um recuo de 40,2% em relação ao quarto trimestre do mesmo ano.
A Carteira de Crédito Expandida ultrapassou R$ 1,3 trilhão, com crescimento de 2,2% em um ano. No agronegócio, atingiu saldo de R$ 418,4 bilhões, crescimento de 3% em um ano. As operações vinculadas ao Programa BB Regulariza Agro, que é a estratégia de atuação do banco na MP 1.314/2025, totalizou saldo de R$ 37,9 bilhões.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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