São Paulo, 12 de maio de 2026 – Os mercados iniciaram o dia cautelosos e com maior aversão ao risco. Petróleo, dólar e treasuries sobem, enquanto as bolsas registram perdas. Tendência é de uma abertura semelhante no Brasil. As tensões no Oriente Médio seguem no centro das atenções. Inflação aqui e nos Estados Unidos, a visita do presidente Donald Trump à China e a situação crítica do premier britânico Keir Starmer também estão no Radar.
No Oriente Médio, a tensão aumentou após o presidente norte-americano ter dito que o cessar-fogo na região “respira por aparelhos”. Sem avanços e com o Estreito de Ormuz fechado, o petróleo sobe e as pressões inflacionárias persistem.
A expectativa para o CPI americano é de alguma aceleração no índice cheio, com o impacto dos preços de energia, e núcleo mostrando inflação ainda resiliente. “Os preços de combustíveis, que impactam fretes e, consequentemente, alimentos e outros itens, e de passagens aéreas devem continuar voláteis, sem a expectativa de uma resolução do conflito que mantém o estreito de Ormuz fechado”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
A projeção de consenso é de alta de 0,6% no mês para o índice cheio, e 0,3% para o núcleo, que exclui alimentos e energia. “Confirmado esse número, o mercado deve seguir reagindo aos fundamentos e à temporada de resultados que vêm sustentando os índices americanos recentemente, apesar das incertezas. Mas, caso o dado supere essas projeções, ou caso a leitura seja de impactos mais consolidados no setor de serviços, podemos observar uma mudança nas expectativas para os juros americanos, potencialmente com uma parte dos investidores precificando novos movimentos de aperto monetário pelo Fed – e não só o afastamento das expectativas de corte”.
No Brasil, o destaque do dia é a agenda com o IPCA de abril. “Esperamos alta de 0,70%, com a mediana do mercado em 0,68%. Os reflexos do conflito no Oriente Médio seguem impactando as variações do índice, ainda que parte dos impactos já esteja suavizada pelos pacotes de desoneração do governo”, afirma a Ativa Investimentos, em boletim matinal.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, rejeitou nesta terça-feira os pedidos por sua renúncia e afirmou que seguirá governando, apesar da crescente pressão interna dentro do Partido Trabalhista após a forte derrota da legenda nas eleições locais.
Durante reunião de gabinete, Starmer afirmou que os últimos dias foram desestabilizadores para o governo e alertou que a instabilidade política tem custos econômicos para o país e para as famílias britânicas.
Petrobras
Nos primeiros três meses de 2026, a Petrobras alcançou lucro
líquido de R$ 32,7 bilhões (US$ 6,2 bilhões), um aumento de 110% em relação ao quarto trimestre de 2025. Já o EBITDA ajustado foi de R$ 59,6 bilhões (US$ 11,3 bilhões).
Em relação ao 4T25, a valorização de 27% do Brent e a apreciação do real frente ao dólar também contribuíram positivamente para os resultados. A geração de caixa permanece forte, com Fluxo de Caixa Operacional de R$ 44 bilhões (US$ 8,4 bilhões).
Excluindo eventos exclusivos do 1T26, o EBITDA ajustado foi de R$ 61,7 bilhões (US$ 11,7 bilhões), 4,5% superior ao 4T25, impulsionado pelo aumento nas vendas de derivados produzidos e menores despesas operacionais, em especial a redução dos custos exploratórios. Já o lucro líquido do 1T26, excluindo eventos exclusivos, foi de R$ 23,8 bilhões (US$ 4,5 bilhões), uma redução de 7,2% em relação ao 4T25.
A dívida bruta totalizou US$ 71,2 bilhões no trimestre, dentro do limite previsto no Plano de Negócios 2026-30, abaixo de US$ 75 bilhões. A companhia mantém a expectativa de convergência para US$ 67 bilhões em 2026 e US$ 65 bilhões no horizonte do Plano.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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