São Paulo, 30 de abril de 2026 – O mercado financeiro global iniciou a quinta retomando fôlego, após uma Super Quarta de muita aversão ao risco. Os investidores aguardam a divulgação da Pnad aqui e do PIB e do índice PCE nos EUA. No foco das atenções, seguem o conflito no Oriente Médio, as decisões sobre juros e o conturbado cenário político em Brasília.
Começando por Brasília, o governo lambe as feridas da histórica derrota imposta pelo Senado – liderado pelo seu presidente Davi Alcolumbre – ao governo Lula, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo. A articulação de Centrão e extrema direita mostra um governo sem articulação e com importantes projetos para as ambições eleitorais de Lula sob desconfiança. Na disputa para a presidência, o Centrão deu mais um passo à direita e mostra que a acirrada disputa à presidente encontra um obstáculo a mais na reeleição do atual presiente.
Em relação aos juros, nenhuma surpresa nas decisões. O Federal Reserve manteve a taxa básica, mas o comunicado mostrou fortes dissidências e a fala de Jerome Powell foi considerada dura. Em sua última coletiva no cargo, chamou a atenção o fato de Powell ter confirmado que ficará no comitê para fiscalizar uma possível interferência política sobre as futuras decisões.
No Brasil, o comunicado também foi considerado hawkish, apontando que a questão do Oriente Médio pode fazer com que o ciclo de cortes seja menos intenso e a Selic final fique acima das projeções do mercado.
Finalizando o cenário, há a questão do Oriente Médio. Sem avanços consistentes nas negociações entre Irã e Estados Unidos, o mercado teme o impacto inflacionário. Durante a madrugada, o petróleo atingiu o maior patamar em quatro anos, mas retrocedeu e agora opera perto da estabilidade.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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