O mercado operou com baixa liquidez no mercado disponível (spot) e predominância de negociações por amostras, evidenciando perda de eficiência do pregão como formador de preço. Conforme aponta o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o escoamento seguiu lento na bolsa, com dificuldade de repasse das pedidas mais altas vindas das regiões produtoras, reforçando o desalinhamento entre origem e destino.
Do lado da oferta, o quadro é de restrição estrutural, com estoques curtos em Minas Gerais, Goiás, Paraná e São Paulo.
“O principal driver segue sendo a escassez de produto extra, com ausência relevante de lotes nota 9 ou superiores (sem manchas, escurecimento lento e alta peneira)”, observa Oliveira.
A maior parte do mercado opera com padrões 7,5 a 8,5, o que mantém prêmio elevado para os lotes superiores e induz migração de demanda para intermediários.
No FOB, os preços permaneceram firmes, sustentados pela limitação de oferta, mas com alta limitada pela dificuldade de repasse ao varejo.
“A demanda atuou de forma defensiva, com empacotadoras focadas em reposição mínima”, avalia o analista.
A tendência segue de estável a altista no fundamento, porém com reação condicionada à retomada da demanda e avanço da colheita.
Feijão preto segue pressionado com demanda fraca e preços próximos dos pisos regionais
Já o mercado do feijão preto manteve comportamento fragilizado ao longo da semana, com liquidez extremamente baixa e ausência de tração mesmo diante de sucessivos ajustes negativos de preços. A bolsa apresentou baixa relevância operacional, com negociações pontuais ou inexistentes.
Nas origens, as cotações recuaram ou se estabilizaram em patamares baixos no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, indicando processo de consolidação de piso regional.
“As indicações continuam pressionadas pela elevada concorrência entre vendedores e pela necessidade de giro de estoque”, comenta Oliveira.
Do lado da oferta, o mercado permanece abastecido, com estoques relativamente confortáveis ao longo da cadeia.
“Já a demanda segue como principal limitador, com consumo enfraquecido e baixa reposição por parte do varejo, reduzindo o ritmo de escoamento”, acrescenta.
O analista conclui que a tendência para esta variedade é de lateral a baixista no curto prazo, com mercado desancorado e dependente de recuperação da demanda para reequilíbrio e eventual reação de preços.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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