Austrália e União Europeia fecharam um acordo comercial após oito anos de negociações. O acordo elimina tarifas para mais de 99% das exportações europeias e praticamente todas as exportações australianas de minerais críticos. O pacto também prevê tarifas de importação zero para esses minerais na Europa, com potencial de impulsionar o comércio bilateral e fortalecer cadeias globais de suprimentos. Autoridades estimam que o acordo poderá adicionar cerca de 10 bilhões de dólares australianos (US$ 6,992 bilhões) por ano à economia da Austrália. As exportações europeias ao país podem crescer até 33% na próxima década.
O acordo ocorre em um contexto de tensões comerciais globais, com tarifas mais altas dos EUA e crescente preocupação no Ocidente com a forte dependência da China no fornecimento de terras raras e minerais estratégicos. Nesse cenário, Austrália e União Europeia também avançaram em cooperação em segurança e defesa, reforçando o alinhamento geopolítico e econômico entre as duas regiões. Além disso, o acordo sinaliza maior presença europeia no Indo-Pacífico.
Apesar dos ganhos industriais e estratégicos, o setor agrícola australiano criticou o acordo por não garantir acesso significativo ao mercado europeu. Dessa forma, produtos como carne bovina e ovina estarão sujeitos a cotas de exportação, limitando os benefícios para agricultores. Ainda assim, o pacto inclui redução de tarifas para diversos produtos europeus e regras sobre indicações geográficas. Além disso, haverá medidas como flexibilização tributária para veículos elétricos europeus na Austrália.

